Patinetes elétricos não fazem tão bem para o meio ambiente

Por Nathan Vieira | 02 de Agosto de 2019 às 19h05
Imagem ilustrativa

Normalmente, os patinetes elétricos são vendidos como uma opção de locomoção ecológica, sob um discurso de que cada viagem realizada é sinônimo de ajuda para não apenas reduzir as emissões de carbono, como também combater a mudança climática. No entanto, um novo estudo da North Carolina State University aponta que nada é tão bonito e benéfico ao meio ambiente quanto parece.

De acordo com o estudo, esses veículos elétricos podem ser mais amigáveis para o meio ambiente do que a maioria dos carros, mas podem ser muito menos ecológicos do que várias outras opções, como bicicletas e, certas formas de transporte público ou, por que não, a boa e velha caminhada. Os passageiros tendem a pensar que estão fazendo a coisa certa ao apostar em um patinete elétrico, como se ele fosse completamente livre da emissão de carbono, mas acaba passando despercebido o número de emissões de carbono em meio aos processos de fabricação, transporte e manutenção desses patinetes.

O autor do estudo da North Carolina State University, Jeremiah Johnson, professor de engenharia ambiental, dissertou: "Se você pensar apenas no segmento do ciclo de vida que você pode ver, que estaria no patinete onde não há escapamento, é fácil fazer essa suposição. Mas se você der um passo para trás, poderá ver todas as outras coisas que estão um pouco escondidas no processo".

Johnson e a sua equipe conduziram uma “análise do ciclo de vida” da indústria de patinetes elétricos. Em outras palavras, observaram todas as emissões associadas a cada aspecto do desenvolvimento desse veículo, desde a produção de materiais como a bateria de íons de lítio e as peças de alumínio até o processo de fabricação e transporte para a cidade de uso.

A relação entre os patinetes elétricos e o ambiente

Os patinetes elétricos não são tão amigáveis para o meio ambiente quanto normalmente os passageiros pensam

De acordo com o que a equipe concluiu no estudo realizado, o patinete elétrico emite 200g de gás carbônico por cada milha (o equivalente a 1,6 km), quando somados todos os processos de fabricação e outros. Em comparação, as emissões do ciclo de vida para o automóvel médio são de pouco mais de 400g de gás carbônico. Então, é claro, utilizar um patinete elétrico é bem melhor do que um carro, para o meio ambiente.

A equipe da North Carolina State University conduziu uma pesquisa com os usuários para descobrir como as pessoas estavam usando os patinetes elétricos e quais tipos de viagens estavam substituindo ao optar por usar um veículo elétrico de duas rodas. Assim, a equipe descobriu que 49% dos ciclistas teriam pedalado ou andado, 34% teriam usado um carro e 11% teriam pegado um ônibus.

Embora cerca de 63% da eletricidade nos Estados Unidos (País onde foi feito o estudo) seja gerada a partir de combustíveis fósseis, o impacto ambiental da eletricidade usada para carregar cada um dos patinetes é relativamente pequena - cerca de 5% do impacto geral, segundo os pesquisadores. Os principais culpados foram os materiais usados ​​para construir cada patinete, principalmente o alumínio, e o carbono produzido pelos veículos usados ​​por contratantes independentes para reunir e recarregar esses veículos de duas rodas durante todas as noites.

Soluções para reduzir o impacto ambiental

Empresas já estão pensando em como deixar o patinete elétrico mais amigável ao meio ambiente

Existem algumas soluções simples para esses problemas, que as próprias empresas de patinetes elétricos já estão tentando resolver: A primeira é promover a redução de toda a condução feita para recolher os patinetes a fim de levá-los para carregar à noite. A Lime, por exemplo, está tentando fazer isso introduzindo um novo recurso que permite reservar um patinete antes do tempo, reduzindo assim a quantidade de direção desnecessária que ocorre quando os juicers estão à procura de scooters para coletar.

A segunda solução para reduzir o impacto ambiental seria construir um patinete que durasse mais do que os modelos que foram implantados. "Se as empresas de patinetes elétricos puderem prolongar a vida de seus veículos sem dobrar os impactos de materiais e manufatura, isso reduziria a carga por milha", apontou Johnson. "Se você puder fazer essas coisas durarem dois anos, isso teria um impacto muito grande", o professor ainda completou.

Felizmente, as empresas também estão providenciando essa solução. A Bird, por exemplo, revelou recentemente seu patinete elétrico de última geração com uma bateria mais duradoura e peças mais duráveis. A Lime, por sua vez, também lançou modelos mais novos com uma promessa de melhorar a economia do negócio.

Mas, em última análise, a alegação de que a utilização dos patinetes elétricos é a opção mais ecológica disponível não é verdadeira. E as empresas que os desenvolvem parecem conscientes disso. No ano passado, a própria Lime disse que, a fim de tornar toda a sua frota de bicicletas elétricas e patinetes elétricos completamente "livres de carbono", a empresa começará a comprar créditos de energia renovável de projetos novos.

Embora haja algum ceticismo sobre a eficácia das compensações de carbono, é uma ideia inicialmente bem aceita pela equipe da universidade, mas não aborda o principal problema com o modelo de negócios da indústria de scooters sem atracação: o uso de freelancers para coletar e cobrar uma frota de scooters elétricas. Lime diz que espera eventualmente contabilizar essas emissões em seu programa neutro em carbono, mas ainda não o fez.

Fonte: The Verge

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