JBL BandBox Trio: o amplificador que eu queria ter quando comecei a tocar
Por Marcelo Fischer • Editado por Léo Müller |
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Passei uma semana com o JBL BandBox Trio, usando o equipamento principalmente com guitarra e também um pouco com baixo. Testei diferentes volumes, efeitos e configurações, além do aplicativo, recursos de inteligência artificial, bateria eletrônica, looper, metrônomo e afinador.
Foi a primeira vez que usei um amplificador com aplicativo próprio e recursos de IA. E, depois de uma semana, concluí que o BandBox Trio é o tipo de equipamento que eu gostaria de ter tido quando estava aprendendo a tocar guitarra.
Não porque ele seja o melhor amplificador que já testei, mas porque reúne várias ferramentas que eu teria usado muito naquela época.
Não é só um amplificador
Antes de ligar o equipamento pela primeira vez, esperava encontrar um amplificador com alguns efeitos digitais, mas a proposta é bem mais ampla. Vale dizer que, antes de usar, não conhecia o produto.
O BandBox Trio também funciona como caixa Bluetooth, reúne entradas para diferentes fontes de áudio e oferece ferramentas para quem toca e pratica sozinho.
E, apesar da quantidade de recursos, começar a usar é simples. Para tocar, basta conectar a guitarra ou o baixo pelo cabo P10. Para ouvir música, é só parear via Bluetooth.
IA que realmente ajuda o músico
O recurso que mais me impressionou foi a separação de instrumentos por IA. Ao reproduzir uma música pelo Bluetooth, o sistema permite reduzir ou remover três grupos: guitarra, voz e “outros”. Essa última categoria reúne baixo, bateria e demais instrumentos.
Para quem está aprendendo a tocar, é extremamente útil poder retirar a guitarra de uma música e tocar no lugar dela. Também dá para fazer o contrário: deixar apenas a guitarra para tentar entender o que o músico está tocando. O resultado, porém, não é perfeito.
Quando uma faixa fica isolada, principalmente a voz, aparecem pequenas alterações no áudio. São coisas discretas, mas perceptíveis. A limitação fica ainda mais evidente quando você percebe que não é possível separar individualmente baixo e bateria: ambos entram em “outros”.
No rap, a experiência foi mais interessante. Ao retirar a voz, o beat fica praticamente intacto, e é possível prestar atenção em elementos da produção que normalmente passam despercebidos.
Também dá para mudar o tom da música em até cinco semitons para cima ou para baixo, o que pode ajudar quem precisa adaptar uma música à própria afinação. Ou para quem quer deixar a música com voz do “Alvin e os Esquilos”.
Pedais virtuais
Outra parte divertida foi descobrir os conjuntos de efeitos disponíveis. Há configurações voltadas a estilos como rock, pop, metal e blues, e é possível ajustar individualmente os pedais que fazem parte de cada conjunto.
Para mim, foi quase como ganhar acesso a uma coleção de pedais sem precisar comprar uma coleção de pedais. É especialmente interessante para quem está começando e ainda não sabe exatamente qual sonoridade gosta.
Mas existe uma limitação que aparece quando você tenta usar esses efeitos de maneira mais dinâmica: não há um switcher físico para ligar ou desligar os pedais durante a execução.
Isso incomoda principalmente em efeitos como Wah-Wah. Em vez de simplesmente acionar ou desligar o efeito enquanto toca, é necessário mexer no aplicativo ou nos controles do próprio amplificador.
Para estudar em casa, não chega a ser um grande problema. Em uma apresentação, porém, pode quebrar o fluxo.
Como é tocar guitarra no BandBox Trio
A guitarra foi responsável pela maior parte do meu tempo com o equipamento, e a experiência foi positiva.
Não percebi interferências relevantes nem sons excessivamente estridentes na maior parte dos testes. Alguns efeitos específicos, porém, deixaram mais evidente que o BandBox Trio não está tentando ser um amplificador profissional de estúdio ou de palco.
Uma descoberta pequena, mas muito bem-vinda, foi o comportamento quando o cabo está conectado ao amplificador, mas não à guitarra.
Sabe aquela microfonia irritante que pode aparecer quando você deixa o cabo conectado ao amplificador e solto? No BandBox Trio, praticamente não se ouve nada nessa situação. Para quem toca em apartamento, é uma vantagem interessante.
Também passei bastante tempo tocando junto de músicas reproduzidas pelo Bluetooth, tanto com a guitarra original da faixa quanto depois de removê-la. Funciona muito bem para essa finalidade.
O cuidado está na regulagem dos volumes. Mesmo que guitarra e música pareçam estar no mesmo nível na interface, determinados efeitos podem fazer o instrumento parecer mais alto ou mais baixo do que a música. Dependendo da faixa, é preciso ajustar antes de começar a tocar.
E o baixo?
O baixo foi responsável por aproximadamente 30% dos testes e mostrou que a versatilidade do BandBox Trio tem limites.
Sem utilizar um dos dois conjuntos de pedais específicos para baixo, o som apresentou mais agudos e pouca força nos graves. A experiência melhorou bastante ao utilizar uma das configurações dedicadas.
Ainda assim, eu não compraria o BandBox Trio pensando nele como um amplificador de baixo. Ele funciona com o instrumento e quebra um galho, mas quem toca exclusivamente baixo provavelmente estará melhor servido por um equipamento dedicado.
A própria separação de instrumentos por IA também é menos interessante nesse cenário. Ao retirar o baixo de uma música de rock, a bateria também desaparece, já que ambos estão agrupados em “outros”. Para guitarra, a função é muito mais divertida.
Aplicativo facilita muito a experiência
Nunca tinha usado um amplificador com aplicativo, e a primeira impressão foi quase mágica. Depois de alguns dias, a novidade passou. A utilidade, não.
Pelo aplicativo, consigo controlar volumes, instrumentos, microfone, música e efeitos com muito mais conforto do que pelos controles físicos.
Tudo que o aplicativo faz também pode ser configurado diretamente no BandBox Trio, então não é necessário ficar com o celular na mão para tocar. Mas o app é uma comodidade enorme, especialmente para quem está em casa e quer experimentar diferentes configurações sem interromper muito a prática.
A interface física poderia ser melhor. A tela da caixa não é touchscreen, e a parte superior inclinada, onde ficam os controles, funciona muito bem quando o equipamento está no chão. Se ele estiver em uma posição mais elevada, porém, controlar tudo manualmente fica menos confortável.
Uma pequena banda dentro de uma caixa
O BandBox Trio ainda tem algumas ferramentas que só fazem sentido quando você começa a tocar sozinho.
A bateria eletrônica permite escolher estilos e BPM e funciona muito bem para treinar ritmo ou simplesmente criar uma base para tocar.
O looper é ainda mais interessante para quem já tem alguma experiência. Ele permite criar camadas e construir acompanhamentos sozinho, embora tenha uma curva de aprendizado própria. Nesse caso, a dificuldade não é necessariamente do BandBox. Um looper já é uma ferramenta que exige prática.
O metrônomo também cumpre bem seu papel. Já o afinador funciona, mas não encontrei motivo para usá-lo ao invés dos vários aplicativos gratuitos de afinação disponíveis para celular.
É bom para tocar em casa?
Depois de uma semana usando o equipamento, acho que esse é um dos cenários em que ele mais faz sentido. Com 6,65 kg e uma alça, o BandBox Trio não é exatamente pequeno, mas é transportável considerando tudo que reúne.
Também não precisa ficar conectado à tomada, o que permite levá-lo para outros lugares sem depender de uma estrutura fixa de energia. E, principalmente, sem aquele emaranhado de fios.
A JBL promete até 10 horas de autonomia, mas o tempo real depende do volume e do conteúdo reproduzido. Quando liguei a caixa pela primeira vez, ela estava com cerca de 50% de bateria, que duraram, mais ou menos, 2 horas de uso enquanto tocava guitarra e reproduzia música com o Bluetooth.
Por outro lado, não espere dele a mesma pressão sonora de um amplificador grande dedicado. Em volumes mais altos, fica evidente que a proposta é ser um equipamento multifuncional e relativamente compacto, não substituir um grande sistema de amplificação para palco.
Para tocar em casa, estudar, experimentar e se divertir, isso não chega a ser um problema.
Para quem eu recomendaria o BandBox Trio?
Depois de uma semana com ele, vejo três públicos especialmente interessantes que podem tirar muito proveito do produto da JBL.
O primeiro é quem toca casualmente em casa e quer muito mais do que simplesmente ligar a guitarra e tocar.
O segundo é quem está aprendendo guitarra e pode aproveitar a separação de instrumentos, os efeitos, as bases e as ferramentas de prática.
O terceiro é quem toca sozinho, especialmente em apresentações menores, e quer concentrar amplificação, música, microfone, efeitos, bateria e looper em um único equipamento.
Para quem já tem uma boa pedaleira, a situação muda. Parte do diferencial desaparece. O mesmo vale para quem toca exclusivamente baixo ou precisa de grande volume de palco.
O amplificador que eu queria quando comecei a tocar
O BandBox Trio não é perfeito. A separação por IA tem limitações, alguns efeitos são mais interessantes no papel do que na prática, não há um switcher físico e o baixo deixa claro que versatilidade não significa substituir um equipamento dedicado.
Mas a experiência de uma semana me fez entender por que ele existe. Quando eu estava começando a tocar, queria experimentar pedais que não tinha, tocar junto das músicas que gostava e entender exatamente o que os guitarristas estavam fazendo.
O BandBox Trio coloca boa parte dessas possibilidades em uma única caixa. Só não significa que eu recomendaria para todo mundo.
Para colocar o preço em perspectiva, R$ 3.599 já entra na faixa de amplificadores dedicados de 100 W. O Fender Champion II 100, por exemplo, tem 100 W, dois falantes de 12 polegadas, efeitos integrados e footswitch, e aparece no varejo por cerca de R$ 3,1 mil em algumas ofertas. Já modelos como o Orange Super Crush 100 e outros amplificadores de 100 W têm proposta ainda mais voltada à performance com guitarra.
Isso não significa que esses equipamentos sejam simplesmente “melhores” que o BandBox Trio: eles são amplificadores dedicados, enquanto a JBL tenta reunir amplificação, caixa Bluetooth, efeitos, IA e outras ferramentas em um único aparelho.
Eu, pessoalmente, não pagaria mais de R$ 3.600 no amplificador da JBL. Abaixo disso, especialmente perto dos R$ 3.200, a versatilidade do BandBox Trio compensa o investimento.
No fim, talvez essa seja a melhor maneira de entender o BandBox Trio: ele não tenta ser o melhor amplificador possível. Tenta ser aquele equipamento que permite fazer um pouco de tudo sem precisar carregar uma coleção inteira de equipamentos junto.