Fim do dinheiro falso: celular poderá conferir se notas são verdadeiras
Por Bruno Bertonzin |
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Uma nova tecnologia antifalsificação poderá abrir caminho para que o celular confira se notas e outros itens são verdadeiros. O sistema combina uma tinta especial, materiais que reagem à luz e à temperatura e um detector portátil capaz de analisar a autenticidade pelo smartphone.
O método foi apresentado em um estudo publicado no International Journal of Materials and Product Technology. Nos testes, a tecnologia alcançou quase 97,5% de precisão ao identificar etiquetas falsas produzidas para imitar versões autênticas.
Embora a pesquisa tenha se concentrado em etiquetas de segurança, os mesmos princípios podem ser aplicados a diferentes materiais que precisam de autenticação. O estudo, porém, não detalha testes específicos com cédulas.
Como o celular identifica uma falsificação
O sistema reúne três componentes principais: microcápsulas sensíveis à luz e à temperatura, uma tinta ultravioleta própria para impressão em alta velocidade e um terminal portátil de detecção.
As microcápsulas são pequenas estruturas de polímero que armazenam materiais funcionais. Quando incorporadas à impressão, elas fazem com que a etiqueta apresente reações específicas diante de mudanças de temperatura ou da exposição à luz.
O celular atua como parte do detector e mede como a luz interage com o material impresso. Em seguida, um sistema de aprendizado de máquina analisa os dados e confere se o padrão corresponde ao registro de origem da etiqueta.
Essa combinação dificulta a reprodução da marca de segurança. Mesmo uma falsificação visualmente convincente pode apresentar respostas diferentes quando examinada pelo sistema.
Material resiste a calor e umidade
Os pesquisadores também buscaram aumentar a durabilidade das etiquetas. Para isso, utilizaram conectores desenvolvidos com nanotecnologia, que reforçam as ligações internas das cápsulas de polímero.
Nos testes, o material permaneceu estável mesmo em ambientes quentes e úmidos. A fidelidade das cores ficou acima de 83% após cinco períodos de armazenamento em baixas temperaturas.
Outro benefício está no processo de fabricação. As microcápsulas podem ser produzidas em temperatura ambiente, enquanto a tinta ultravioleta não contém solventes orgânicos voláteis.
A composição também é compatível com impressão serigráfica e por jato de tinta em alta velocidade. Isso pode facilitar a produção em grande escala sem exigir uma mudança completa nas linhas industriais.
Tecnologia deve chegar primeiro a rótulos e embalagens
Segundo os responsáveis pelo estudo, o sistema pode ser adotado em embalagens e etiquetas antifalsificação de diversos setores. A solução serviria, por exemplo, para confirmar a procedência de produtos sem depender de equipamentos grandes ou restritos a especialistas.
O uso em notas de dinheiro aparece como uma aplicação possível desse tipo de tecnologia, mas ainda não foi demonstrado pela pesquisa. O trabalho também não informa quando o sistema estará disponível comercialmente.
Caso avance, a proposta pode tornar a verificação mais acessível. Em vez de analisar apenas elementos visuais, o usuário poderia apontar o celular para uma marca de segurança e receber uma confirmação baseada nas propriedades físicas do material.