Tendência inversa | Pirataria cresce no mundo dos eBooks

Por Fidel Forato | 15 de Outubro de 2019 às 12h25

Com Netflix, Amazon Prime, HBO GO, Disney+ e tantos outros serviços do tipo, nunca foi tão simples e acessível ter em mãos conteúdos de qualidade de forma legal, mas quando o assunto são livros alguma plataforma vem a mente? Pesquisas feitas na Holanda, mais especificamente da Universidade de Amsterdã, mostram que a pirataria em produtos de entretenimento vem diminuindo nos últimos anos, exceto no mundo dos eBooks. Pelo menos é essa a tendência no país europeu. As pesquisas sugerem que a pirataria no mercado editorial esteja relacionada ao modelo dominante de consumo dos livros, por obra e não por serviço.

Comparando duas pesquisas de pirataria quase idênticas feitas entre 2012 e 2017, pela universidade holandesa, os pesquisadores conseguiram analisar as mudanças no consumo de mídia e nos hábitos de pirataria entre o público holandês ao longo dos anos. Os entrevistados responderam perguntas sobre o consumo legal e não-autorizado de música, filmes e TV, jogos e livros.

A conclusão mais geral e, inclusive um pouco óbvia, foi que, entre 2012 e 2017, o interesse por bens e produtos físicos despencou. Entre as curiosidades apresentadas pela pesquisa, as mulheres começaram a piratear mais livros e menos jogos e música entre os anos analisados. Além disso, os dados revelam que, em geral, pessoas menos instruídas utilizam menos produtos piratas, rompendo consensos pré-estabelecidos.

Mudanças em porcentagem

O número de pessoas entre os entrevistados que compravam filmes ou produtos televisivos em formatos físicos foi reduzido de 44,8% para 19,9%. A queda quase pela metade foi acompanhada no universo da música, com os atuais 20,4% de consumidores que ainda optam pela mídia física. Nesse cenário, os livros físicos tiveram a menor queda, com 61,4% ainda comprando livros, contra os 69% de 2012.

A tendência coincide com um grande aumento nas vendas digitais de produtos da indústria cultural. O número de pessoas que compraram entretenimento digital aumentou em todas as categorias, quase triplicando na categoria de filmes e TV, o que provavelmente se deve aos bem-sucedidos serviços de streaming disponíveis no mercado.

A pesquisa ainda revela que a porcentagem de pessoas que fazem download ou transmitem conteúdo de fontes não-autorizadas, praticando a pirataria, diminuiu em quase todas as categorias. Esse efeito é mais significativo para músicas e jogos, enquanto a pirataria de filmes e TV permaneceu relativamente estável. A única categoria para a qual a taxa de pirataria subiu foi a de eBooks. Entre 2012 e 2017, o número de downloads ilegais de livros digitais aumentou de 6,3% para 7,7%, o que é significativo para o mercado.

Conclusões

Segundo os pesquisadores, isso mostra que as editoras ainda estão testando modelos e se adaptando ao mercado digital. Faltam bons serviços de assinatura, por exemplo, nos quais as pessoas possam acessar um número ilimitado de livros por um preço fixo. "Olhando para outros mercados, as assinaturas de conteúdo parecem ser os modelos mais promissores, onde o grande aumento no número de transações compensa o retorno médio por transação ser menor", escrevem os pesquisadores Joost Poort, Martin van der Ende e Anastasia Yagafarova em artigo publicado.

Embora não mencionado no artigo, o aumento maciço de consumidores de eBooks deve desempenhar papel importante no aumento da taxa de pirataria. O número de pessoas que compraram eBooks aumentou 80% entre 2012 e 2017. Parte dessa nova base de usuários de leitores de livros digitais, aparentemente, mostrou interesse em livros piratas, o que provavelmente afetou o crescimento dessa taxa.

Os dados atuais da pesquisa mostram que a mídia física está perdendo popularidade rapidamente à medida que mais pessoas consomem conteúdo legal digitalmente. Ao mesmo tempo, as taxas de pirataria estão caindo significativamente para música e jogos, pelo menos na Holanda, enquanto a pirataria do eBook aumenta lentamente. Vale lembrar que as tendências, geralmente, seguem direções diferentes, dependendo da região, do tipo de mídia e do período de pesquisa.

Fonte: Torrent Freak

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