Os novos bilionários

Por Fernando D´Angelo | 24 de Abril de 2018 às 21h10

Atualmente, existem três modelos de economia convivendo ao mesmo tempo: a economia Clássica, a economia Digital e a economia Pós-Digital. Tal proposição foi feita por Tiago Mattos, futurista, durante palestra no SingularityU BR Summit 2018, evento realizado em parceria com a HSM e Mirach. Entenda cada modelo e quais são os indicativos de sucesso em cada caso.

Economia Clássica

A economia Clássica é o modelo econômico tradicional, onde o indicador de sucesso é o lucro da empresa, a hierarquia de funcionários é dividida em alta e média gerência, e o setor operacional como sendo a parte fraca da corda. Para os executivos deste modelo econômico, a empresa é mais importante que o ecossistema na qual ela está inserida. Se enquadram neste cenário grande parte das empresas tradicionais, com mais de 10 anos de vida.  Neste modelo, o bilionário é aquele indivíduo ou empresa que arrecadou 1 bilhão de dinheiros, e somente a unidade monetária importa.

Economia Digital

A economia Digital é um modelo mais moderno, onde se busca um equilíbrio maior na relação entre os tomadores de decisão e o setor operacional, que muitas vezes não faz parte dos quadros de funcionários da corporação. Os executivos que aplicam este modelo empresarial acreditam que deve haver um equilíbrio entre as ambições da empresa e o ecossistema na qual ela está inserida, formando uma espécie de simbiose que, ao mesmo tempo em que gera valor aos seus usuários e clientes, gera lucro aos empresários e parceiros. Se encontram neste modelo a grande maioria das empresas do universo digital, tais como Google, Uber, AirBnb e outras. Neste cenário, o bilionário continua sendo aquele indivíduo ou empresa que arrecadou 1 bilhão de dinheiros, mas há uma preocupação maior com o ecossistema e com as consequências sociais de seus empreendimentos.

Economia Pós-digital 

Já a economia Pós-Digital é, no momento, um movimento vanguardista e parte do princípio que o ecossistema está acima dos interesses das empresas, e onde as corporações existem para servir às necessidades da sociedade. Neste modelo o lucro é uma consequência de bons serviços prestados. Este modelo é flexível e não possui um corpo bem definido, pois sua base é totalmente tecnológica e seus colaboradores se plugam e desplugam conforme a demanda. Todo mundo é freelancer, é um micro-worker. É como se essas empresas aparecessem e desaparecessem conforme a demanda e necessidades da sociedade. Neste cenário, o novo bilionário é o indivíduo ou empresa que impactou 1 bilhão de pessoas de forma positiva. O sucesso não é medido em dinheiros, mas sim em impactos positivos. O foco é deixar um legado, é contribuir para um mundo melhor.

Moral da história: em tempos de confusão econômica, talvez o maior erro dos empresários seja tentar mudar o modelo econômico da empresa sem mudar os seus indicativos de sucesso. Afinal, uma empresa que mede o sucesso através do lucro ainda é uma empresa com mentalidade da economia Clássica, mesmo que vista a roupagem de uma empresa pós-digital.

Tiago Mattos, Futurista, no evento SingularityU BR Summit 2018 (Foto: openspace)

*Agradecimentos especiais à HSM e à assessoria de imprensa pelo convite para acompanhar o evento SingularityU BR Summit 2018.

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