Loja de aplicativos da Huawei vem sendo desenvolvida desde 2018

Por Rafael Arbulu | 21 de Maio de 2019 às 14h19
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Uma matéria publicada pela Bloomberg mostra indícios de que a Huawei já antecipava problemas com o governo dos Estados Unidos e, por isso, vinha criando uma versão alternativa à Play Store desde meados de 2018. Segundo o texto, a fabricante chinesa estaria — e ainda está — trabalhando na chamada “App Gallery”, que teria serventia para os seus próprios smartphones, bem como a linha Honor.

Pelas fontes da matéria, a Huawei vem abordando desenvolvedores de aplicativos móveis desde 2018, propondo a eles uma troca simples: eles criam aplicações para a App Gallery e, em troca, a Huawei os introduz ao mercado chinês — hoje, o maior do mundo em termos de fabricação de smartphones e desenvolvimento de apps.

Atualmente, a Huawei é quase que totalmente dependente da Play Store, pertencente à Google, assim como qualquer outra fabricante que faça uso do Android como sistema operacional. Entretanto, os recentes desenvolvimentos do relacionamento da empresa com os Estados Unidos a forçaram a criar um plano de contingência. Um onde a gigante chinesa não contaria com a parceria da Google.

O smartphone Honor 20i, que faz uso da Play Store da Google

Foi exatamente isso que aconteceu: na última semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, colocou a Huawei em uma espécie de “lista negra” figurada por uma ordem executiva, efetivamente impedindo que a empresa tenha negócios nos EUA sem prévia aprovação governamental. Os desdobramentos da medida foram vários e podem atingir os dois lados.

Primeiramente, empresas como Google, Intel e Qualcomm, entre outras, cortaram relações com a Huawei, impactando a sua capacidade de usar os apps first party do Android (as aplicações criadas pela própria Google, como Maps, YouTube, Gmail e além).

Entretanto, muitas empresas dos EUA fazem uso de equipamentos da outra divisão da Huawei, voltada ao desenvolvimento do mercado de telecom. A chinesa é uma das principais players de mercado no que tange a implementação da conexão móvel 5G. A medida tomada por Trump pode impactar severamente a chegada da nova velocidade de conexão aos EUA.

O CEO global e co-fundador da Huawei, Ren Zhengfei

O capítulo mais recente dessa novela: o governo dos EUA permitiu à Huawei uma licença temporária para continuar operando o sistema operacional Android até agosto deste ano, sem alterações. Isso não parece dissuadir a chinesa de suas intenções, porém: como o banimento governamental impacta todas as empresas americanas (e não somente a Google), estamos falando de nomes como Facebook, Twitter e várias outras desligando potenciais relações comerciais com a Huawei.

A Bloomberg ainda diz que a gigante chinesa estaria oferecendo aos desenvolvedores “uma ferramenta simples para ajustar o software que eles escreveram para a Play Store e torná-lo compatível com a App Gallery”.

Ainda não se sabe se algum desenvolvedor — proeminente ou não — já teria aceitado a oferta.

Fonte: Bloomberg

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