CEO do Uber chama assassinato de jornalista de "erro", corrigindo-se depois

Por Rafael Arbulu | 11 de Novembro de 2019 às 13h30
(Captura de imagem: Rafael Arbulu (via Reuters))
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O CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, deu uma declaração bem infeliz durante entrevista ao canal Axios, chamando o assassinato do jornalista Jamal Kashoogi, morto por agentes do governo saudita em outubro de 2018, de “erro”. O contexto era o de resposta a um questionamento sobre o acidente fatal causado por um veículo autônomo da empresa de caronas, ocorrido em março. Khosrowshahi estava comparando ambos os casos.

“Eu acho que eles cometeram um erro grave. Nós cometemos erros também, com a direção autônoma, e estamos nos recuperando disso. Eu acho que as pessoas cometem erros, mas isso não significa que eles nunca possam ser perdoados”, disse o CEO. O questionamento veio justamente dentro deste contexto: o fundo de investimento da Arábia Saudita é um dos maiores investidores do Uber e Khosrowshahi, por dois anos consecutivos, esteve ausente de um encontro com eles, sendo pelo menos uma dessas ocasiões devido ao assassinato do jornalista, que era também residente dos Estados Unidos.

O assassinato do jornalista Jamal Kashoogi pelo governo da Arábia Saudita, ocorreu em 2 de outubro de 2018 e foi um dos episódios mais icônicos daquele ano. As principais suspeitas recaem sobre agentes do governo árabe, que teriam matado Kashoogi dentro do consulado do país, na Turquia. Ele era um notório crítico do governo saudita e atuava como colunista de diversos jornais do mundo, incluindo o Washington Post, onde expunha os desmandos da realeza árabe. Inicialmente, o governo saudita alegou que ele havia deixado o consulado, o qual ele havia visitado para assegurar a documentação de seu casamento.

Como não havia registro de sua saída nas câmeras de vigilância, ele foi dado como desaparecido, até que a CIA, em subsequente investigação, mostrou evidências de que ele havia sido morto e desmembrado por agentes governamentais árabes dentro do próprio consulado, sob ordens do príncipe Mohammed bin Salman. O caso tornou-se uma demonstração emblemática do cerceamento à imprensa por algumas nações.

O jornalista e dissente saudita Jamal Kashoogi, morto no consulato da Arábia Saudita em outubro de 2018: em sua morte, foram implicados agentes a mando do próprio governo (Imagem: Reprodução/Sky News)

Depois da entrevista ser veiculada pelo Axios, Khosrowshahi disse aos jornalistas do site que havia “se expressado mal”: “Eu disse algo na ocasião no qual que não acredito. Quando se trata de Jamal Kashoogi, o seu assassinato foi repreensível e não deve ser esquecido nem perdoado”, ele disse por meio de um comunicado.

As reuniões com o fundo de investimento saudita são anuais. Em 2018, Dara Khosrowshahi havia intencionalmente faltado à ocasião, alegando que a situação envolvendo o jornalista assassinado carecia de novos fatos a serem apurados. Neste ano, porém, o executivo atribuiu sua ausência à uma reunião com o comitê de diretores do Uber, agendada para o mesmo dia. Questionado se, caso não houvesse a reunião com os diretores, ele iria à conferência saudita, ele enfaticamente respondeu: “Eu não sei”.

Fonte: Axios

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