Boeing deveria renomear o 737 Max, segundo um de seus clientes

Por Rafael Arbulu | 21 de Janeiro de 2020 às 16h23
Reprodução/ Boeing
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Um dos maiores clientes da Boeing, a Air Lease Corp., tem uma mensagem concisa e obtusa para a empresa: “renomeie o 737 Max”. Segundo o fundador da Air Lease, Steven Udvar-Hazy, o nome atual da linha de aeronaves envolvida em dois acidentes fatais em 2019 deve “entrar para a história” como um episódio ruim da aviação moderna.

De acordo com o executivo, não há qualquer razão para que a Boeing mantenha esse nome depois de tudo o que aconteceu, e admite até já ter feito a sugestão aos executivos da empresa: “Nós pedimos à Boeing para se livrar da palavra ‘Max’. Eu acho que o nome ‘Max’ entrará para a história como algo ruim para uma aeronave”, comentou Udvar-Hazy.

O motivo para isso, segundo ele, seria o de dissuadir eventuais sentimentos de insegurança dos passageiros, pertinentes ao nome “Max”. Afinal, foram dois acidentes: o voo 610, da Lion Air, caiu no mar de Java, no Sul do Oceano Pacífico, logo após decolar de Jacarta, na Indonésia, em 29 de outubro de 2018. Um acidente semelhante, também envolvendo essa aeronave, ocorreu na Etiópia, em março do ano passado, e matou 154 pessoas. A situação gerou uma crise de negócios na Boeing que levou à suspensão do uso dos aviões 737 Max na Europa, EUA e até no Brasil.

Vale citar que Udvar-Hazy não está sozinho neste pensamento: em meados de junho de 2018, o próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que, fosse ele na posição de líder da Boeing, também faria essa troca no nome das aeronaves.

Uma aeronave 737 Max, da Boeing, estacionada em pátio na Europa: desde junho de 2019, reguladores na Europa, EUA e Brasil ordenaram a suspensão de voos com esse avião após seu envolvimento em dois acidentes fatais. Especialistas advogam pela mudança do nome da marca para dissuadir insegurança

A mudança não seria impossível de acontecer, já que na papelada referente à regulamentação do voo, submetida às autoridades competentes, o avião é referido por sua designação numérica: 737-8 ou 737-10. Udvar-Hazy argumenta que usar apenas o nome numérico, aqui, seria mais adequado para que a Boeing (e, consequentemente, empresas que compram aeronaves dela) não sofram impacto dos negócios em países mais supersticiosos. O executivo diz que empresas de linhas aéreas estão no momento avaliando a relutância do consumidor em voar nessas aeronaves, e por quanto tempo isso deve durar.

“Serão dois meses, seis meses, será diferente em diferentes partes do mundo? Será que as pessoas nos EUA vão se esquecer dos acidentes e dizer ‘Ah, só mais um 737’? Haverão partes no mundo onde as pessoas serão mais supersticiosas e vão demorar mais para se livrar desse estigma?”, questiona o executivo.

Da parte da Boeing, porém, não há qualquer indício de que a sugestão será acatada: “Nós continuamos com a mente aberta a todas as sugestões de nossos clientes e acionistas, mas não temos planos, neste momento, de mudar o nome do 737 Max”, disse a empresa por meio de um comunicado.

Atualmente, a Boeing está trabalhando em conjunto com a Administração Federal de Aviação (FAA) norte-americana para re-certificar o 737 Max. Ainda não há prazo, porém, para que isso aconteça.

Fonte: Bloomberg 

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