Google cria seu próprio adblocker para testar novas restrições do Chrome

Por Wagner Wakka | 14 de Junho de 2019 às 11h27
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A Google lançou uma extensão interna do Chrome para explicar as mudança do Manifest V3, documento em que ela define restrições para a ação de alguns programas voltados a barrar anúncios e rastreamento. A medida foi recebida como uma movimentação da Google em favor da coleta de dados dos usuários por empresas, mas essa nova extensão tem como objetivo mostrar aos usuários que anúncios e informações estão sendo, sim, barrados, e que o objetivo é somente aumentar a segurança dos dados pessoais.

A mudança acontece em uma API chamada Web Request, que foi substituída pela Declarative Net Request. Em um diagrama, a Google explica a principal diferença.

No Web Request, quando o usuário entra em um site, a extensão “pede” (request, no nome em inglês) para o Chrome a permissão para ver todo o conteúdo da página e remover as publicidades. O navegador, então, passa toda as informações da página, “sendo que isso pode conter também dados sensíveis (por exemplo, e-mail e conteúdo de mídias sociais do usuário)”, explica o blog da empresa.

Já nesta mudança, com o Declarative Net Request, este pedido muda. A extensão demanda do próprio Chrome que procure uma publicidade e que a remova do site, sem passar os dados de toda a página para a extensão.

Diagrama explica principais mudanças com a nova regra do Chrome (Foto: Divulgação/Google)

De acordo com a Google, a maioria dos plugins bloqueadores de anúncio trabalham muito bem com acesso aos dados da página inteira, contudo 42% deles são maliciosos e têm acesso a informações sensíveis do usuário.

Outra mudança, segundo a Google, é que isso vai tornar o carregamento de página mais veloz, uma vez que não há mais necessidade de passar tão profundamente pela extensão.

Testes

Para garantir que a mudança não tenha um impacto realmente negativo, a Google está trabalhando em dois projetos relacionados a esse tipo de extensão. A informação veio do blog da Chromium, plataforma do navegador voltada para desenvolvedores.

A primeira é uma ferramenta que provavelmente será usada na conversão das extensões para o Declarative Net Request. Os adblockers funcionam basicamente como uma lista de regras que precisam ser verificadas. Assim, essa ferramenta simplesmente vai filtrar quais podem se manter nesta nova versão.

Outra será uma extensão da própria Google, já com a nova API, com o objetivo de mensurar a eficácia de um programa desse tipo nas novas regras. O medo da empresa é que essa restrição cause uma “regressão nos apps”.

Ele é baseado em uma versão já convertida do EasyList, uma das extensões mais usadas, e vai testar cerca de 6 mil conexões.

Problemas

A Google ainda tem outra questão com que lidar: a limitação do novo documento. A mudança para o Declarative Net Request exige que qualquer extensão do tipo tenha somente 30 mil regras. O problema é que os melhores programas contam com até mais que o dobro disso.

O próprio EasyList tem mais de 75 mil restrições, sendo que a versão convertida pela Google no teste ficou com perto de 40 mil entradas, ainda acima do que ela própria limitou.

Em resposta a isso, a empresa disse que está revendo a possibilidade de aumentar esse limite. “Estamos planejando atualmente em mudar o limite máximo de 30 mil para um total global máximo de 150 mil”, disse a Google.

A informação pode ajudar a acalmar os ânimos, sobretudo de quem suspeitava que a empresa estava buscando impedir o uso de adblockers em seu navegador.

Fonte: Chromium (1) (2) (3)

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