Conheça o processo de digitalização de discos de vinil do Internet Archive

Por Felipe Demartini | Editado por Luciana Zaramela | 29 de Abril de 2021 às 15h05
Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech

Músicas, filmes e séries estão, muitas vezes, a um clique de distância na era digital. Mas existem gravações antigas e experiências que não podem ser reproduzidas apenas com um mero download ou uma gravação, com o trabalho de restauração, captação e armazenamento servindo para manter a história viva. É o que o The Internet Archive vem fazendo, em parceria com a organização George Blood LP, com centenas de milhares de discos de vinil de 78 rpm, muitos deles raros ou considerados perdidos para sempre.

Ao longo dos últimos anos, o projeto The Great 78 já preservou mais de 255 mil discos em formato digital, em sua maioria lançados entre 1898 e 1950. Mas para os envolvidos, não se trata apenas de tocar os vinis em uma vitrola e gravar o som, mas também de preservar a experiência, a beleza de muitos destes materiais, os aspectos fonográficos da época e manter as unidades bem cuidadas e funcionais, de forma que fiquem de tesouro para as próximas gerações. É um processo manual, demorado e cuidadoso, mas que representa um grande prazer para os audiófilos e amantes da música.

O passo a passo dessa preservação foi publicado nesta semana no Twitter, e envolve muito trabalho manual. Os discos são armazenados em caixas de 80 unidades cada, em um depósito com temperatura controlada. A manipulação é feita apenas com o uso de luvas e o processo envolve a leitura de códigos de barra e fotografias de encartes e dos próprios discos, muitas vezes com artes gravadas. Antes da gravação, a limpeza já envolve tecnologia, com água destilada em spray sendo depositada na superfície do disco e sugada por um aspirador de previsão, de forma a trazer junto toda a sujeira e impurezas.

Na hora de captar o áudio, não se trata apenas de gravar o que é tocado. Além da própria alteração de formato, que já gera mudanças no som, o The Internet Archive descobriu que não existia um padrão de ranhuras para os discos fabricados no início do século passado, o que significa que o som reproduzido é diferente de acordo com a agulha usada para reprodução. Para resolver o problema e preservar esse aspecto, a George Blood LP criou uma vitrola com quatro componentes de especificações diferentes, que reproduz e armazena o áudio de forma simultânea, com todas essas versões sendo disponibilizadas no arquivo junto com as imagens e informações oficiais.

Dados curiosos surgiram desse trabalho. Enquanto 80% dos álbuns preservados foram lançados por cinco gravadoras, as chamadas de “Big Five” — RCA, Capitol, Columbia, Victor e Decca —, o The Internet Archive encontrou mais de 1,7 mil selos em meio aos milhares de discos. Muitos deles, como forma de chamarem atenção e justificarem o preço mais alto, devido à fabricação em pequena escala, investiam em artes chamativas e outros elementos, que também fazem parte dos trabalhos de restauração e manutenção.

Todo o trabalho está disponível online e gratuitamente no site do projeto The Great 78. O acervo é gigantesco, mas dá para navegar por ano, gênero e artista, além de realizar buscas por termos específicos. Além disso, caso você esteja procurando uma indicação do que ouvir, o perfil da iniciativa no Twitter publica, de hora em hora, uma gravação aleatória da biblioteca.

Fonte: The Internet Archive (Twitter)

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