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Venda de TVs deve saltar 20% com busca por telas gigantes e 4K

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Anaísa Catucci/Canaltech
Anaísa Catucci/Canaltech

O mercado brasileiro de televisores deve registrar uma alta de 15% a 20% nas vendas nos três meses que antecedem a Copa do Mundo de 2026. A projeção faz parte de um novo estudo da consultoria NielsenIQ, que aponta um otimismo moderado para o setor de eletroeletrônicos. 

Embora o volume seja positivo, o ritmo é inferior aos 35,4% de crescimento vistos no Mundial de 2022, reflexo de um cenário econômico com juros a 15% ao ano e dólar pressionado.

Para Mateus Bando, líder de T&D da NielsenIQ no Brasil, a desaceleração no ritmo de crescimento tem causas macroeconômicas claras. Ele aponta que conflitos globais e a valorização da moeda americana encarecem a produção. 

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"Boa parte dos componentes das TVs é importada e sujeita à variação cambial. Também várias peças, como gabinetes, são feitas de plástico e têm o petróleo como matéria-prima básica", explica. Apesar dos custos, o evento esportivo continua sendo o principal motor do setor. "A perspectiva é muito boa, porque o mercado tem andado de lado". 

A busca por experiências imersivas está mudando o ticket médio do setor. "Em anos de Copa do Mundo, normalmente são vendidos televisores mais sofisticados e mais caros", afirma. 

Na última edição do evento, os modelos com resolução 4K UHD responderam por 72% dos negócios no período pré-mundial, enquanto aparelhos com telas acima de 50 polegadas representaram 45% das vendas, segundo o líder de T&D da NielsenIQ no Brasil. 

O crescimento do setor é impulsionado por uma renovação tecnológica nas regiões Nordeste e Norte, além do Centro-Oeste. O Nordeste saltou de 17,9% para 20,2% de participação nas vendas totais, motivado pela substituição de tecnologias obsoletas, explica Bando.

"O Brasil ainda possuía 8,7 milhões de TVs de tubo em 2022; a proximidade do Mundial acelerou a troca desses aparelhos por modelos novos", disse. 

O especialista destaca que esse movimento foi liderado especialmente pela região Nordeste, onde o consumidor aproveita as promoções pré-Copa para saltar gerações tecnológicas, saindo do tubo diretamente para as telas de alta definição. Esse fenômeno regional é o que garante a manutenção do volume de vendas, mesmo em um cenário de crédito mais restrito.

Para 2026, a expectativa é que essa tendência de "telas gigantes" se consolide, já que o consumidor brasileiro prioriza a renovação tecnológica para acompanhar as transmissões em altíssima definição.

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Linha Branca desbanca smartphones em faturamento

Um dos destaques do levantamento é a mudança histórica na liderança do varejo. Pela primeira vez desde 2022 até 2025, a Linha Branca (geladeiras, fogões e lavadoras) superou o setor de Telecomunicações em faturamento, detendo 31,7% do mercado contra 31,4% dos celulares.

"A presença de eletrodomésticos da linha branca e de celulares na casa dos brasileiros é muito grande. Mas muitos aparelhos já passaram da hora de serem renovados", pontua. O especialista recorda que o último grande ciclo de compras ocorreu em 2010, e como esses produtos duram de 10 a 15 anos, a substituição em massa está movimentando o mercado.

IA e o encarecimento do setor de informática

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Enquanto as TVs e a Linha Branca crescem por desejo e necessidade, o setor de Tecnologia da Informação (TI) enfrenta um novo desafio. Embora tenha aumentado sua fatia de participação para 12,5%, o preço médio dos produtos deve subir devido às novas tecnologias."TI está naquele momento de evolução da categoria", destaca Bando. 

O especialista alerta que a indústria está trazendo inovações mais rápido, porém, "cada vez mais produtos de TI estão sendo encarecidos pela inteligência artificial (IA) embarcada neles". Com o crédito mais caro, o desafio será manter o volume de vendas diante de preços mais elevados no varejo.

O estudo foi divulgado durante um evento de apresentação da 19ª edição da Eletrolar Show All Connected, que será realizada entre os dias 22 e 25 de junho, no Distrito Anhembi, em São Paulo. A feira do setor eletroeletrônico tem como objetivo integrar todas as tecnologias, envolvendo carros elétricos e robótica.