UMG e NVIDIA fecham parceria para uso de IA no meio musical, mas sem 'slop'
Por Marcelo Fischer Salvatico |

A Universal Music Group (UMG), detentora de um dos maiores catálogos musicais do mundo, anunciou nesta terça-feira (6) uma parceria estratégica com a NVIDIA para o desenvolvimento de soluções de inteligência artificial (IA).
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O acordo tem como objetivo criar ferramentas que auxiliem na descoberta de músicas e na proteção de direitos autorais, indo na maré contrária da onda de conteúdos de baixa qualidade gerados por IA, chamados de “slop”.
A colaboração foca no conceito de “IA responsável”, buscando equilíbrio entre a inovação tecnológica e a remuneração justa, além da proteção da propriedade intelectual de artistas e compositores.
Segundo o CEO da UMG, Lucian Grainge, a iniciativa une a principal empresa de música com a líder em tecnologia para aproveitar o potencial da IA em favor da comunidade criativa.
Music Flamingo
O pilar central da parceria é o modelo de linguagem e áudio Music Flamingo, criado pela NVIDIA. A tecnologia promete interpretar a música com uma “linha de raciocínio” semelhante à humana, diferente de algoritmos tradicionais que classificam a faixa apenas por gênero ou ritmo.
O modelo é capaz de processar faixas completas de até 15 minutos, analisando elementos complexos como harmonia, estrutura, timbre, letras e contexto cultural da obra.
A promessa é que o modelo de IA transforme a experiência de descoberta para ouvintes, permitindo buscas baseadas em narrativas emocionais e ressonância cultural, indo além das tags convencionais de playlists.
O vice-presidente de mídia da NVIDIA, Richard Kerris, afirmou que o objetivo é transformar o catálogo musical em um "universo inteligente", onde a interação seja contextual e conversacional.
Combate ao ‘slop’
Um dos pontos mais sensíveis da relação entre gravadores e IA é a proliferação de faixas genéricas e sem qualidade artística. A NVIDIA e a UMG anunciaram a criação de uma “incubadora de artistas” para combater esse problema.
O programa convidará compositores, produtores e artistas da Universal para co-criar e testar novas ferramentas de IA.
A ideia é garantir que a tecnologia sirva para aumentar a autenticidade e a originalidade das obras, como uma espécie de “antídoto” contra a produção em massa de conteúdo genérico de IA, o “slop”.
A movimentação marca uma mudança de postura da UMG em relação à tecnologia, já que a empresa processou companhias como a Anthropic — dona do Claude — por uso indevido de letras, e criticou a emulação de vozes.
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