Startups criadas por mulheres recebem menos investimento, mas geram mais receita

Por Redação | 12 de Julho de 2018 às 16h36

A disparidade salarial entre homens e mulheres já é de amplo conhecimento de todos, mas pouco se fala sobre a diferença de gênero no financiamento de novos negócios. De acordo com pesquisa do BCG, quando mulheres empresárias lançam suas ideias para investidores em busca de capital inicial, elas recebem significativamente menos – uma disparidade em média de mais de US$ 1 milhão.

No entanto, as empresas fundadas por mulheres geram receitas mais altas – mais do que o dobro do dólar investido – do que aquelas criadas por homens, tornando as empresas de propriedade feminina melhores investimentos para financiadores.

Para determinar o déficit de financiamento, o BCG voltou-se para os dados coletados pela MassChallenge, uma rede global de aceleradoras sediada nos EUA que oferece às empresas iniciantes acesso a mentores, especialistas do setor e outros recursos. Desde a sua fundação em 2010, a MassChallenge apoiou mais de 1.500 empresas, que captaram mais de US $ 3 bilhões em financiamento e criaram mais de 80.000 empregos. Cerca de 42% de todos os negócios acelerados pela MassChallenge - de todos os tipos e em todos os locais - tiveram pelo menos uma mulher fundadora.

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Em uma análise de cinco anos de dados de investimento e receita feita com 350 empresas, ficou clara a lacuna de gênero no que diz respeito ao financiamento. Os investimentos em empresas fundadas ou cofundadas por mulheres foram em média de US$ 935.000, o que representa menos da metade da média de US$ 2,1 milhões investidos em empresas fundadas por empreendedores do sexo masculino.

Apesar disso, startups fundadas e cofundadas por mulheres na verdade tiveram um desempenho melhor ao longo do tempo, gerando 10% a mais em receita acumulada ao longo de um período de cinco anos: US$ 730.000 em comparação com US$ 662.000.

Em termos de quão efetivamente as empresas transformam um dólar de investimento em um dólar de receita, startups fundadas e cofundadas por mulheres são significativamente melhores investimentos financeiros. Para cada dólar de financiamento, essas startups geravam 78 centavos, enquanto as startups fundadas por homens geravam menos da metade disso (apenas 31 centavos).

Além da análise quantitativa, os autores do estudo entrevistaram fundadores, mentores e investidores para identificar as causas subjacentes da lacuna de investimento. Segundo a análise do BCG, existem três explicações para essa disparidade:

Mulheres enfrentam mais desafios durante as suas apresentações para os investidores. Mais mulheres relatam, por exemplo, serem perguntadas durante suas apresentações se têm o conhecimento técnico básico para o negócio. Ou, muitas vezes, os investidores simplesmente presumem que as mulheres fundadoras não têm esse conhecimento.

Outro ponto é que, quando estão fazendo suas apresentações, as fundadoras também hesitam em responder diretamente às críticas. Se um possível financiador fizer comentários negativos sobre aspectos do discurso de uma mulher, em vez de discordar do investidor e argumentar sobre seu caso, é mais provável que ela aceite isso como um feedback legítimo.

Fundadores do sexo masculino são mais propensos a fazer projeções ousadas. As mulheres, em contraste, são geralmente mais conservadoras em suas projeções e podem simplesmente estar pedindo menos do que os homens.

Muitos investidores do sexo masculino têm pouca familiaridade com os produtos e serviços que as empresas fundadas por mulheres comercializam para outras mulheres. Muitas das entrevistadas pelo BCG disseram que as suas ofertas em categorias como cuidados infantis ou beleza, por exemplo, tinham sido criadas com base na experiência pessoal e que tinham lutado para que os investidores do sexo masculino compreendessem a necessidade ou vissem o valor potencial das suas ideias.

A lacuna de investimento é real – e maior do que se pensava – mas há maneiras de ajudar a encerrá-la. Ao entender os tipos de preconceitos que colocam as mulheres em desvantagem, as empresas de capital de risco e os investidores podem tomar decisões de financiamento mais objetivas. As aceleradoras podem ajudar em termos de orientação, recursos e trabalho em rede. E as mulheres fundadoras, enquanto pressionam por mudanças de longo prazo, podem operar de forma inteligente dentro do sistema atual até eliminar a injustiça inerente às decisões de investimento.

Para ler o relatório completo, acesse o site.

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