Sites de notícias falsas geram mais de US$ 200 milhões em publicidade

Por Nathan Vieira | 30 de Setembro de 2019 às 15h44
Jornal de Alagoas

A disseminação das fake news é um assunto muito delicado, que tem preocupado o mundo inteiro. Tendo isso em mente, no último dia 23, o Global Disinformation Index publicou um estudo com base em uma amostra de cerca de 20 mil sites destinados à veiculação de fake news, e descobriu que as empresas de tecnologia de anúncios gastam cerca de US$ 235 milhões (o equivalente a R$ 977 milhões) por ano exibindo anúncios nesses sites.

“Nossas estimativas mostram que a tecnologia e as marcas de anúncios estão involuntariamente financiando domínios de desinformação. Essas descobertas demonstram claramente que esse é um problema de toda a indústria que requer uma solução para toda a indústria”, explica Clare Melford, co-fundadora e diretora executiva do Global Disinformation Index. Os pesquisadores chegaram a encontrar anúncios de marcas famosas como Amazon, Office Max e Sprint em sites do tipo, como Addicting Info, RT e Twitchy. E a parte mais surpreendente disso é que a Google também prestou apoio. Segundo o estudo, a Google apoiou cerca de 70% dos sites da amostra e também forneceu cerca de 37%, ou US$ 86 milhões (R$ 357 milhões) anualmente, de sua receita. Parte do motivo disso é a facilidade com que a Google gera receita com sites. Qualquer pessoa com um site pode se inscrever para usar o AdSense e, se for aceito, começar a colocar anúncios em seu site.

Sites de fake news estão ganhando milhões em cima de publicidade, com o apoio inclusive da Google

As pesquisas mais recentes do Global Disinformation Index mostram que a empresa ainda têm um longo caminho a percorrer para impedir a monetização da desinformação, e pode precisar recorrer a companhias de publicidade menores para aconselhamento. Em agosto passado, uma rede de recomendação de conteúdo anunciou que começaria a desmonetizar partes de conteúdo que foram verificadas como falsas.

O responsável pelo estudo aponta que implementar uma parceria entre verificadores de fatos e a Google seria mais difícil e complicado do que com empresas menores de tecnologia de anúncios. Mas a pesquisa mais recente do GDI revela que as regras existentes da empresa não são suficientes para impedir que os sites de fake news lucrem com suas publicações — apesar dos outros esforços da Google para elevar a verificação de fatos. "A desinformação é um problema em todo o setor que exige soluções nas marcas e anúncios", diz o GDI em seu estudo. Tendo isso em mente, aponta que a transparência sobre a relação entre marcas, anúncios e empresas de tecnologia e os domínios que veiculam seus anúncios é "um primeiro importante passo em busca das fontes de financiamento da desinformação".

Fonte: Global Disinformation Index via Poynter.

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