SAP, HP e Microsoft possuem as melhores práticas de diversidade, segundo guia

Por Stephanie Kohn | 05 de Junho de 2020 às 15h24

Nesta semana, foi divulgado o Guia EXAME de Diversidade 2020, uma publicação fruto de uma parceria entre a EXAME e o Instituto Ethos, que tem como objetivo reconhecer publicamente as melhores práticas de diversidade e inclusão das empresas nos mais diversos setores no Brasil. São quatro categorias avaliadas: Pessoas com Deficiência, Mulheres, Étnico-racial e LGBTI+.

Neste ano, dentre as 57 empresas que compuseram o guia, três delas são do setor da tecnologia: SAP, HP e Microsoft, e apenas uma é do setor de telecomunicações, a Vivo. As três representantes do setor tech estão acima da média nas categorias Pessoas com Deficiência, Mulheres e Étnico-racial. No entanto, na categoria LGBTI+, a HP ficou abaixo da média, enquanto suas parceiras a superaram. A Vivo, por sua vez, está acima da média em todas as categorias avaliadas.

A SAP foi destaque na primeira edição do guia e repetiu o feito neste ano. Por lá, a área de diversidade e inclusão tem atuação global e existe formalmente há mais de dez anos, com o programa Pride at SAP, voltado para a comunidade LGBTI+.

“Como trabalhamos com o conceito há muito tempo, todos os líderes e gestores apoiam os grupos de trabalho relacionados ao tema”, disse Paula Jacomo, vice-presidente de recursos humanos da SAP para a América Latina, à Exame. Há funcionários com dedicação exclusiva à diversidade no escritório da empresa na Argentina, mas profissionais ligados a outras funções no mundo inteiro podem se envolver na causa voluntariamente. “A maior parte dos líderes dos grupos de diversidade não é composta de gestores formais de pessoas em outras áreas. Por meio da liderança nos grupos de afinidade, esses funcionários desenvolvem habilidades que são úteis também para sua carreira", finalizou.

Mulheres: a vez delas

De acordo com a publicação, a promoção das mulheres no mercado de trabalho gera diferenciais competitivos. Um estudo da consultoria McKinsey de 2019 revelou que as empresas que promovem equidade de gênero em cargos de liderança tendem a ter resultado financeiro 25% maior do que as demais companhias. A boa notícia é que há avanços nessa área. Hoje, 44% das empresas têm três ou mais mulheres em cargos executivos, ante 29% das empresas em 2015.

O desafio maior, porém, está na inclusão de mulheres negras. Em média, um em cada cinco executivos é mulher, mas apenas um em cada 25 executivos é mulher negra. “O avanço precisa ser intencional e em todos os níveis. Promover a diversidade de gênero e de raça gera mais inovação e todos são beneficiados, ainda mais em um momento como este”, disse Margareth Goldenberg, gestora executiva da organização Movimento Mulher 360.

Étnico-racial: falta de oportunidade

Já a equidade racial ainda é um dos maiores desafios para as empresas brasileiras. Das companhias inscritas na segunda edição do Guia EXAME de Diversidade, apenas 17% afirmam que funcionários negros participaram dos programas de desenvolvimento de carreira.

Segundo a consultoria McKinsey, empresas com diversidade étnico-racial lucram até 36% mais do que as que não têm esse perfil. Para isso, é preciso envolver os funcionários por meio de indicações, eventos e comunicação. “Posicionar-se na promoção da equidade racial é importante para provocar mudanças e evitar problemas como o racismo. Isso não significa que a empresa estará blindada, mas que está mudando sua cultura ao ser inclusiva”, disse Daniel Teixeira, diretor de projetos do Ceert, ONG que promove a equidade étnico-racial.

Ainda de acordo com uma pesquisa do Instituto Ethos com as 500 maiores empresas do Brasil, o próximo passo é avançar na promoção dos cargos de liderança. As pessoas negras ocupam apenas 6,3% dos cargos de gerência e 4,7% dos cargos executivos. A situação das mulheres negras é ainda mais desfavorável, pois elas ocupam apenas 1,6% dos cargos de gerência.

LGBTI+: lenta evolução

Por outro lado, com o avanço das ações de diversidade, tanto nas organizações quanto na sociedade, já se pode, ccomemorar, com cautela, uma evolução no respeito aos LGBTI+ no ambiente corporativo. A sigla para a denominação de lésbicas, gays, bissexuais, trans, intersexuais e mais, no entanto, abriga em si uma diversidade — e os avanços de cada grupo não são uniformes. Entre os especialistas ouvidos pela EXAME, há consenso sobre as dificuldades no acesso dos Ts (transexuais, travestis e transgêneros) ao mercado de trabalho.

Do total de empresas participantes desta edição do guia, apenas 23% afirmam ter um programa estruturado para a contratação de LGBTI+, o menor índice entre os quatro grupos analisados. “Há questões burocráticas, como as relacionadas ao nome social no caso das pessoas trans ou à não obrigatoriedade de declarar a orientação sexual, o que impacta os indicadores. Mas, em geral, as organizações são resistentes a esse público porque não são pensadas para lidar com a complexidade da vida”, afirmou Reinaldo Bulgarelli, secretário executivo do Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+. “Os entraves ficam menores quanto maior a vontade política da empresa.”

Como o guia funciona

Para elaborar a lista das melhores companhias por setor e por categoria, foi criada uma metodologia própria com base na adaptação de uma série de guias temáticos desenvolvidos pelo Ethos e pelos parceiros Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero, Fórum de Empresas e Direitos ­LGBTI+, Movimento Mulher 360 e Rede Empresarial de Inclusão Social (Reis).

A análise envolveu diferentes etapas. Primeiramente, as empresas inscreveram-se no site do guia e responderam a um questionário. Aquelas que atingiram nota de corte maior do que 7 tiveram seus resultados apurados, sendo 70% da nota atribuído às práticas qualitativas e 30% aos dados quantitativos.

As companhias mais bem pontuadas foram entrevistadas pela equipe de reportagem da EXAME, que confirmou os dados quantitativos e fez uma análise mais profunda das ações de diversidade. Por fim, foi criada uma lista com as 52 empresas que apresentaram melhor desempenho por setor e por categoria (étnico-racial, mulheres, LGBTI+ e PCDs).

“Ao avaliar elementos qualitativos e quantitativos, estamos transmitindo às empresas a mensagem de que a diversidade deve ser um compromisso e ter uma ação concreta”, conta Caio Magri, diretor-presidente do Instituto Ethos.

Para ver a apuração completa do guia, clique aqui.

Fonte: Exame

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