Preparação para Black Friday começa antes do consumidor pensar nela
Por Especialistas Convidados |
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*Por Guilherme Martins
A Black Friday acontece em novembro, mas a disputa por ela começa muito antes. A cada ano, o varejo antecipa discussões, eventos e estratégias para a data, mostrando uma mudança importante na forma como as marcas enxergam esse período. Não se trata apenas de preparar estoque, operação e descontos, mas de construir, com antecedência, a audiência que será convertida em vendas.
Durante muito tempo, a preparação para a Black Friday esteve concentrada nos bastidores operacionais. Era preciso garantir infraestrutura, logística, disponibilidade de produtos e capacidade para atender ao aumento da demanda. Esses fatores continuam fundamentais, mas já não são suficientes pelo fato de cada vez mais empresas disputarem a mesma atenção do consumidor.
A grande transformação está na compreensão de que a Black Friday não começa quando as ofertas são divulgadas. Ela começa quando a marca passa a construir relacionamento, entender comportamentos e criar uma conexão com consumidores que ainda não decidiram o que comprar.
Em novembro, todas as marcas falam ao mesmo tempo. A competição por mídia aumenta, o custo para conquistar novos clientes cresce e a atenção do consumidor se torna um dos ativos mais disputados. Por isso, esperar a chegada da data para iniciar a conversa significa entrar em uma corrida em que muitos concorrentes já largaram.
A Black Friday não se ganha apenas com uma boa promoção. Ela é resultado de fundamentos construídos ao longo dos meses anteriores, que envolvem aquisição, lembrança de marca, audiência e uma oferta alinhada às reais intenções do consumidor.
Dados ajudam o varejo a antecipar a intenção de compra
Assim, os aplicativos assumem um papel estratégico. Mais do que um canal de venda, eles funcionam como um ambiente de relacionamento direto, capaz de reunir informações sobre preferências, acompanhar jornadas de compra e permitir comunicações mais relevantes.
Segundo dados divulgados pelo E-Commerce Brasil, 72% das vendas da Black Friday ocorrem em apps commerce. O dado reforça uma mudança no comportamento de consumo, em que o consumidor não espera necessariamente que a data chegue para demonstrar interesse. Antes da compra, ele pesquisa, acompanha produtos, salva itens e sinaliza suas preferências.
Esses sinais representam oportunidades para o varejo. Um produto adicionado aos favoritos, um carrinho abandonado ou uma interação recorrente com determinada categoria podem indicar uma intenção futura de compra. Quando as empresas conseguem interpretar esses comportamentos, passam a tomar decisões mais precisas sobre comunicação, estoque, sortimento e ofertas.
A construção antecipada da audiência também contribui para uma estratégia mais eficiente de margem. Em vez de depender exclusivamente de descontos amplos para atrair consumidores durante a Black Friday, as marcas podem desenvolver ofertas mais direcionadas, considerando o interesse real de cada público.
Essa mudança de lógica é especialmente relevante em um cenário no qual conquistar a atenção do consumidor ficou mais complexo. A vantagem competitiva estará com as empresas que chegarem a novembro não apenas com produtos disponíveis, mas com conhecimento sobre quem é sua audiência, quais são suas necessidades e como transformar intenção em venda.
A Black Friday continua sendo uma das principais datas do varejo, mas seu resultado começa a ser construído muito antes da primeira oferta aparecer. As marcas mais preparadas serão aquelas que entenderem que vender mais em novembro depende, principalmente, do trabalho realizado nos meses anteriores.
Para este ano, os consumidores brasileiros terão mais opções de compras internacionais. A partir de agosto, lojas do Paraguai começam a fazer entregas no Brasil através dos Correios.