Por dentro do novo prédio do Google em SP: sustentável e com design histórico
Por Marcelo Fischer Salvatico |

O novo Centro de Engenharia do Google em São Paulo reformou uma estrutura histórica. O projeto, assinado pelo escritório Brasil Arquitetura e executado pela Racional Engenharia, aplicou o conceito de reuso adaptativo ao Edifício Adriano Marchini, construído originalmente na década de 1940, modernizando o interior para receber sistemas de automação predial e segurança cibernética.
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A infraestrutura foi desenhada com foco em sustentabilidade passiva. O projeto aproveita o sombreamento natural do terreno e capta ventilação e iluminação naturais. O sistema complementar de ar-condicionado, ativado por sensores inteligentes, só entra em operação em momentos de alta temperatura, com previsão de uso em menos de 40% dos dias do ano. No topo do edifício, painéis solares fotovoltaicos geram energia limpa e sistemas de captação de água da chuva abastecem irrigação e banheiros.
A matemática nas tapeçarias artesanais
O revestimento acústico das salas de reuniões e dos ambientes de trabalho coletivo conecta artesanato e computação. Os painéis internos são cobertos por tapeçarias produzidas pela cooperativa Fios do Cerrado, de Minas Gerais, sob a coordenação do artista Edmar de Almeida, e tecidas em teares manuais.
As peças carregam uma analogia direta com a ciência da computação. Assim como os elementos gráficos em telas digitais resultam do processamento de código binário, os padrões geométricos das tapeçarias seguem uma lógica numérica exata de "passa ou não passa" do fio no tear. Cada cruzamento de linha e mudança de cor obedece a um padrão contado pelas artesãs, unindo técnica ancestral à lógica essencial da programação.
Mesa de Lina Bo Bardi e cafeteria aberta à universidade
O andar térreo abriga uma cafeteria totalmente acessível a estudantes, pesquisadores e visitantes externos da Cidade Universitária. O espaço está entre as poucas estruturas de alimentação da Big Tech no mundo com livre acesso ao público geral.
O mobiliário central é uma mesa feita com quatro peças maciças de madeira cumaru, capaz de acomodar até 36 pessoas. A peça é uma réplica em escala maior do mobiliário projetado pelo escritório Brasil Arquitetura junto à arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi em 1987, originalmente para o restaurante da Casa do Benin, em Salvador. Quase 40 anos após a concepção original, o design modular foi atualizado para funcionar como indutor de convívio, diálogos e troca de ideias na universidade.
O complexo abriga ainda uma exposição temporária com 10 fotografias autorais de Luiz André Barroso, com foco em vida selvagem e observação da natureza, e curadoria de sua esposa, a cantora e compositora Catherine Warner. A cerimônia de abertura teve como trilha sonora o álbum Before Bossa, lançado por Barroso em 2023 com elementos de jazz e música popular brasileira.
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