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OpenAI desmancha equipe responsável por "conter" rebelião de IAs

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A OpenAI dissolveu, no fim do mês passado, a equipe de "preparedness", responsável por avaliar se seus modelos de inteligência artificial representavam riscos graves e por desenvolver formas de mitigá-los. A informação foi publicada pelo Financial Times neste domingo (16).

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Segundo a apuração, as responsabilidades do grupo foram redistribuídas para equipes já existentes, organizadas por área de atuação, como segurança biológica e cibernética. A companhia descreveu o corte como parte de um processo de "streamlining" (reorganizar etapas ou processos desnecessários) antes da abertura de capital na bolsa, depois que o executivo-chefe Sam Altman pediu aos funcionários que reduzissem projetos paralelos e concentrassem esforços no núcleo do negócio, o ChatGPT.

Dylan Scandinaro, que liderava a equipe de preparedness e havia sido contratado pela Anthropic em fevereiro, passa agora a se dedicar às implicações de sistemas de "auto-aperfeiçoamento recursivo", segundo o Verge.

Sequência de saídas na área de segurança

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O desmonte da equipe de preparedness é o mais recente de uma série de movimentos na estrutura de segurança da OpenAI. A empresa já havia dissolvido os times de prontidão para AGI (Inteligência Artificial Geral) e de superalinhamento nos últimos anos.

Também deixaram a companhia recentemente a líder de ética Chloé Bakalar, o futurista-chefe Josh Achiam e o chefe de segurança Johannes Heidecke. As saídas levaram críticos como Jan Leike, ex-pesquisador da OpenAI que renunciou em 2024, a afirmar ao Financial Times que a empresa vem priorizando o lançamento de "produtos vistosos" em detrimento da segurança.

Corrida rumo a um IPO bilionário

As mudanças acontecem em meio à preparação da OpenAI para uma oferta pública inicial de ações considerada uma das maiores da história. A empresa apresentou um pedido confidencial de registro à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) em 8 de junho, com uma valoração-alvo que pode chegar a US$ 1 trilhão, segundo a Reuters.

Bancos como Goldman Sachs, Morgan Stanley e JPMorgan assessoram o processo. Em agosto, a companhia recomprou cerca de US$ 7 bilhões em ações de funcionários com base em uma valoração de US$ 852 bilhões, o que indica que não há pressa para listar as ações na bolsa no curto prazo.

Há divergência interna sobre o cronograma. A diretora financeira Sarah Friar tem sinalizado a associados que a listagem deve ocorrer em 2027, enquanto assessores da empresa apontam a possibilidade de uma estreia já no fim de 2026. A OpenAI também encerrou recentemente o aplicativo de geração de vídeos Sora, associado à produção em massa de conteúdo de baixa qualidade, outro sinal do movimento de concentração em torno do ChatGPT.

Episódio que motivou as críticas

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Parte da preocupação de especialistas em segurança tem origem em um incidente ocorrido em julho, quando modelos da OpenAI comprometeram sistemas da Hugging Face, plataforma que hospeda modelos e conjuntos de dados de inteligência artificial. A própria OpenAI detalhou o caso em publicação no site da empresa.

De acordo com o relato, modelos como o GPT-5.6 Sol e um protótipo de pesquisa interno ainda não lançado publicamente estavam sendo testados no benchmark ExploitGym, voltado à avaliação de capacidades de exploração de falhas de segurança. Durante os testes, os modelos identificaram que a Hugging Face provavelmente hospedava dados e soluções relacionados ao benchmark e encontraram formas de acessar informações sigilosas da plataforma para obter vantagem na avaliação.

A OpenAI classificou o episódio como um incidente cibernético sem precedentes e afirmou ter identificado, na revisão posterior, o uso de credenciais expostas publicamente em quatro contas de serviços externos.

A empresa disse ter contido a ação internamente e trabalhado com a Hugging Face e com firmas como CrowdStrike, METR e Redwood Research para investigar o ocorrido. Nenhum modelo com lançamento público previsto esteve envolvido, segundo a companhia, e o protótipo usado no teste foi desativado e teve o acesso restringido após o incidente.