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OpenAI capta US$ 122 bilhões em investimentos e alfineta Google e Meta

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Marcelo Fischer/Canaltech
Marcelo Fischer/Canaltech

A OpenAI concluiu na terça-feira (31) a maior captação da sua história: US$ 122 bilhões (cerca de R$ 632 bilhões) em capital comprometido, que avaliou a empresa em US$ 852 bilhões. O total superou em US$ 12 bilhões o montante anunciado em fevereiro e coloca a empresa criadora do ChatGPT entre as companhias privadas de maior valor de mercado do mundo, às vésperas de um possível IPO (abertura de capital).

A maior parte dos investimentos veio de Big Techs. A Amazon comprometeu US$ 50 bilhões, mas US$ 35 bilhões desse valor estão condicionados a uma oferta pública de ações da OpenAI ou ao que a empresa define como inteligência artificial geral (AGI).

Nvidia e SoftBank investiram US$ 30 bilhões cada. A Microsoft, parceira histórica com mais de US$ 13 bilhões aportados anteriormente, também participou, mas sem valor divulgado.

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Entre os demais investidores estão Andreessen Horowitz, Sequoia Capital, BlackRock, Thrive Capital, Fidelity e a Temasek, entre outros. Pela primeira vez, a OpenAI abriu a rodada a investidores individuais via canais bancários, arrecadando US$ 3 bilhões por essa via.

Alfinetada no Google e Meta

Em comunicado, a OpenAI afirma estar crescendo quatro vezes mais rápido do que as empresas que "definiram as eras da internet e do mobile", citando diretamente Alphabet (Google) e Meta como referência de comparação.

A companhia chegou a US$ 1 bilhão de receita no primeiro ano após o lançamento do ChatGPT. No fim de 2024, gerava essa quantia por trimestre. Hoje, segundo a dona do ChatGPT, a receita mensal é de US$ 2 bilhões, equivalente a US$ 24 bilhões por ano. "Este financiamento nos dá os recursos para continuar liderando na escala que este momento exige", diz o comunicado oficial.

O segmento corporativo representa 40% dessa receita e deve atingir paridade com o consumidor até o fim de 2026. O ChatGPT registra mais de 900 milhões de usuários ativos semanais e ultrapassa 50 milhões de assinantes pagantes.

A empresa, porém, ainda opera no vermelho. Segundo o Wall Street Journal, a projeção interna é de que a lucratividade só seja alcançada em 2030.

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Superapp

Com o caixa reforçado, a OpenAI sinalizou algumas frentes principais de alocação dos recursos.

A mais ampla é o desenvolvimento de um superapp unificado. O objetivo, segundo o comunicado, é reunir o ChatGPT, a ferramenta de programação Codex, o navegador web e as capacidades dos agentes de IA em uma única interface.

Outra aposta em curso é a publicidade. O ChatGPT estreou um programa de anúncios que, segundo a OpenAI, atingiu US$ 100 milhões em receita anualizada em menos de seis semanas.

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No mesmo período, a OpenAI descontinuou o Sora, seu gerador de vídeos por IA, e encerrou o Instant Checkout, ferramenta de compras integrada ao ChatGPT que funcionou por cinco meses.

O movimento indica uma reorganização do portfólio em torno das frentes consideradas prioritárias.

Caminho para o IPO

Apesar do valuation de quase US$ 900 bilhões, a OpenAI segue como empresa de capital fechado. A diretora financeira Sarah Friar afirmou à Bloomberg que o volume captado "supera em muito o maior IPO já realizado" e que o objetivo é preparar a empresa para operar com os padrões exigidos de uma companhia pública, o que ela descreveu como uma questão de "boa governança corporativa".

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A expectativa de mercado, segundo a CNBC, é que a oferta inicial de ações ocorra ainda em 2026.

Mas o IPO não seria o único evento relevante do calendário: em abril, a OpenAI enfrenta julgamento movido pelo cofundador Elon Musk, que alega que a empresa violou um acordo fundador ao migrar para um modelo com fins lucrativos.