Open banking e uso de dados: as pessoas como reais donas de suas informações

Por Stephanie Kohn | 21 de Maio de 2018 às 10h00

Por Renata Feijó*

Falar sobre os impactos e as possibilidades do uso de dados hoje em dia é chover no
molhado. O futuro chegou e com ele muitos desafios. Mas ainda há um questionamento
sobre o qual ainda paira certa confusão: qual a relação que as pessoas têm com seus
dados pessoais?

Essa questão é um pressuposto para uma série de outros debates importantes que
estamos fazendo atualmente. Quem decide o quê se pode fazer com quais dados? As
respostas a essas questões não são fáceis. A depender das respostas que tivermos,
diferentes modelos de negócios podem ser viáveis – ou inviáveis.

No setor de fintechs, tais questões ganham especial relevância no contexto das
discussões recentes sobre open banking. Em linhas gerais, open banking é o movimento
de empoderamento do consumidor no sentido de que está nas mãos dele decidir com
quem ele compartilha seus dados financeiros. Isso permite a criação de novos modelos
de negócio a partir da disponibilização desses dados pelas instituições financeiras a
empresas terceiras. Com a disponibilização de dados financeiros a outras empresas,
novos serviços podem surgir – alguns revolucionários.

Pense, por exemplo, na criação do Google Maps. O Google Maps tem uma API
(interface de programação de aplicações, em português) aberta – isso significa que
empresas terceiras podem ter acesso a ele, e desenvolver produtos e serviços a partir
dele (vale dizer, a API é apenas uma das formas através das quais o compartilhamento
desses dados pode acontecer). Uma das empresas inovadoras que surgiram do uso dessa API foi a Uber – que é uma das empresas que está revolucionando a maneira como nos transportamos. Esse exemplo ilustra como o uso destas APIs compartilhadas entre empresas pode ser um tremendo estímulo à inovação.

No contexto do open banking, além de serviços e produtos revolucionários que podem
surgir a partir do uso de dados disponibilizados pelas instituições financeiras (com o
consentimento expresso do consumidor, claro), temos a chance de empoderar a pessoas. Se elas forem as verdadeiras detentoras de seus dados, e puderem dizer quem
pode usar suas informações financeiras, teremos a chance de construir modelos de
negócios disruptivos com impactos reais na vida das pessoas . A discussão sobre open
banking não é apenas uma discussão técnica, mas um debate importante sobre qual o
sistema financeiro que queremos. O melhor sistema financeiro, acredito, é aquele que
empodera as pessoas e que as permite fazer boas escolhas.

*Renata Feijó é advogada e head de Institucional do aplicativo GuiaBolso

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