Microsoft quer cortar "romance" entre OpenAI e Amazon com um processo
Por André Lourenti Magalhães |

A Microsoft considera processar a OpenAI devido a uma parceria bilionária entre a empresa e a Amazon, informa o jornal Financial Times. O motivo seria uma possível quebra de um contrato de exclusividade que a Gigante de Redmond tem para disponibilizar tecnologias da criadora do ChatGPT para provedores de nuvem.
- Tudo sobre o ChatGPT: conheça os modelos e recursos da IA da OpenAI
- O que é OpenAI Frontier? Conheça a nova plataforma de agentes de IA
A decisão envolve uma “área cinza” sobre o que seria a exclusividade da MS no âmbito da nuvem, visto que a empresa oferece a API da OpenAI para terceiros a partir da plataforma Azure (divisão de nuvem da Microsoft). O acordo com a Amazon, no entanto, poderia incluir uma brecha para oferecer um serviço específico da empresa de IA via Amazon Web Services (divisão de nuvem da concorrente).
Em nota à reportagem original, um porta-voz da Microsoft comentou que “estamos confiantes que a OpenAI entende e respeita a importância de cumprir com suas obrigações legais. As outras companhias envolvidas ainda não se pronunciaram.
Entenda o problema
Para entender o impasse, é necessário analisar dois acordos firmados pela OpenAI nos últimos meses.
Em outubro do ano passado, Microsoft e OpenAI renovaram a parceria entre ambas as partes — a MS é uma das principais investidoras do projeto desde 2019. O texto menciona que os produtos de API desenvolvidos pela criadora do ChatGPT seriam exclusivos para a plataforma Azure.
Teoricamente, qualquer empresa que quisesse usar uma API teria que recorrer ao serviço de nuvem da Gigante de Redmond.
Porém, a parceria entre Amazon e OpenAI, divulgada em fevereiro, mudou o cenário. A Amazon investiria US$ 50 bilhões (cerca de R$ 262 bilhões em conversão direta) na empresa de IA e em troca a plataforma Frontier, que permite criar e gerenciar equipes de agentes de IA, rodaria no ambiente da Amazon Web Services.
Além disso, ambas as empresas confirmaram a criação de um “Stateful Runtime Environment” (“Ambiente de execução de estado”, em tradução livre), uma estrutura que seria alimentada por modelos da companhia de Sam Altman, mas distribuídas na plataforma Amazon Bedrock.
Linha tênue entre uso das IAs
O grande imbróglio está na distribuição da tecnologia pela AWS, o que a Microsoft avalia que poderia ser uma possível brecha do contrato de exclusividade.
O Financial Times informa que o centro da discussão está no tipo de acesso aos modelos de IA. Por padrão, os LLMs são “stateless” (“sem estado”, em tradução livre), ou seja, precisam carregar informações do zero entre um prompt e outro.
Um modelo “stateful” (“de estado”), como o anunciado entre OpenAI e Amazon, conseguiria ter uma contexto independente dos prompts a partir de camadas de informações armazenadas na AWS.
A Microsoft avalia que essa mudança não seria suficiente para evitar a exclusividade com o Azure. Para evitar mais dores de cabeça, a Amazon teria recomendado usar termos menos diretos sobre a parceria: no lugar de falar que a plataforma “permite acessar” o ChatGPT, a saída seria dizer que o sistema “é abastecido” ou “é integrado” com a OpenAI.
Fonte: Financial Times