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Líder de hardware da OpenAI se demite após acordo com o Pentágono

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Marcelo Fischer/Canaltech
Marcelo Fischer/Canaltech

A líder de hardware da OpenAI, Caitlin Kalinowski, anunciou seu pedido de demissão no último sábado (7), citando preocupações com o recente acordo firmado entre a empresa e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A executiva afirmou que a parceria para implementar modelos de inteligência artificial (IA) em redes classificadas do Pentágono ocorreu de forma precipitada e sem as devidas salvaguardas.

Em publicação no X (antigo Twitter), Kalinowski destacou o papel da IA na segurança nacional, mas ressaltou os riscos da tecnologia. "A vigilância de americanos sem supervisão judicial e a autonomia letal sem autorização humana são linhas que mereciam mais deliberação do que tiveram", pontuou a ex-chefe de hardware.

Ela definiu a situação como uma preocupação de governança e afirmou que o anúncio ocorreu sem a definição de "guardrails" (barreiras de proteção, em inglês).

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A OpenAI rebateu a executiva, afirmando que o acordo com o Pentágono possui salvaguardas técnicas e contratuais. A companhia declarou que suas "linhas vermelhas" impedem o uso da tecnologia em vigilância doméstica ou armas autônomas.

Apesar das garantias, a parceria gerou reações no mercado, com desinstalações do ChatGPT subindo 295% entre os consumidores — muito acima da taxa média de 13% ao mês —, enquanto o aplicativo concorrente Claude alcançou o topo da App Store nos EUA.

Kalinowski estava na OpenAI desde novembro de 2024, após liderar o desenvolvimento de hardware de realidade aumentada na Meta.

A questão do Pentágono com as Big Techs

O acordo da OpenAI foi anunciado pouco depois de o Pentágono encerrar negociações com a Anthropic. A desenvolvedora do Claude recusou os termos exigidos pelo governo americano, exigindo garantias contra o uso de sua IA para vigilância em massa e armamento autônomo.

Como retaliação, o Departamento de Defesa classificou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos. O presidente Donald Trump instruiu agências federais a paralisarem o uso da tecnologia da empresa, e o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, determinou o encerramento dos contratos no período de seis meses.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, informou que contestará a designação na Justiça.

Em resposta às sanções do governo, as principais provedoras de infraestrutura em nuvem decidiram manter a oferta dos produtos da Anthropic para o setor privado. A Microsoft comunicou que advogados da empresa estudaram a determinação e concluíram que os modelos Claude continuam disponíveis para clientes fora do escopo de defesa.

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O Google emitiu um comunicado semelhante, confirmando a disponibilidade da tecnologia em plataformas como o Google Cloud e o Vertex AI. A Amazon, líder do mercado de nuvem pública, também confirmou a manutenção da IA da Anthropic para seus clientes não ligados ao Departamento de Defesa.

O Google possui um histórico de investimentos na Anthropic que ultrapassa os US$ 3 bilhões, e fornece infraestrutura para o treinamento dos modelos da startup.

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