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Julgamento Musk x OpenAI: o que está em risco para o ChatGPT

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Erick Teixeira/Canaltech
Erick Teixeira/Canaltech

O julgamento entre Elon Musk e a OpenAI entrou em sua terceira semana com Sam Altman no banco das testemunhas. Na terça-feira (12), o CEO da empresa criadora do ChatGPT depôs por cerca de quatro horas num tribunal federal em Oakland, na Califórnia, negando ter traído a missão original da organização, e afirmando que foi Musk quem a abandonou.

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A decisão do júri, de caráter consultivo, é esperada para os próximos dias, com a juíza Yvonne Gonzalez Rogers tendo a palavra final sobre eventuais punições.

Para o professor do Insper e consultor de IA, Pedro Burgos, a estratégia da acusação tem sido centralizar o ataque na personalidade de Altman. "A ideia é caracterizar o Sam Altman como um líder pouco confiável", disse ele ao Podcast Canaltech nesta quinta-feira (14).

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Na avaliação de Burgos, esse foco revela uma fragilidade no argumento principal de Musk, de que a transformação da OpenAI em empresa com fins lucrativos traiu um "charitable trust" (fundo de caridade, em inglês) estabelecido na fundação.

O contexto remonta a 2015. A OpenAI foi criada como uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de desenvolver inteligência artificial geral sem que o resultado ficasse concentrado nas mãos de uma única empresa, especialmente depois que o Google adquiriu o DeepMind, em 2014. Musk foi um dos principais financiadores iniciais, com doações de US$ 38 milhões.

O problema, segundo Burgos, é que documentos apresentados no julgamento mostram que Musk sabia da necessidade de mudança no modelo de negócios.

"Tem provas abundantes de que não foi uma surpresa para ele que a empresa uma hora ia ter que mudar", afirmou. Altman reforçou esse ponto no depoimento ao revelar que Musk chegou a pedir 90% do capital da empresa em algum momento, "sempre uma maioria", segundo o próprio CEO.

Musk também teria proposto a fusão da OpenAI com a Tesla.

O que acontece se Musk ganhar

O processo tem duas fases distintas. O júri decide primeiro sobre as acusações: violação da missão sem fins lucrativos e enriquecimento ilícito dos fundadores.

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Depois, a juíza define a reparação, que pode ir de multas financeiras até a destituição de Altman e Greg Brockman da liderança da empresa.

Burgos considera improvável que o júri aceite as duas acusações, mas pondera que, num cenário extremo, o resultado "seria uma hecatombe para o mundo da inteligência artificial".

A OpenAI criou, em 2026, uma fundação para o avanço da IA com aporte inicial de aproximadamente US$ 20 bilhões — uma possível peça na estratégia de defesa para demonstrar compromisso com a missão original.

A pergunta de fundo, mais difícil de responder, é se lucro e responsabilidade são compatíveis no setor.

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Burgos aponta que o mercado, por ora, ainda tende a premiar quem demonstra cautela. "Existe uma demanda por modelos seguros e por empresas responsáveis", disse.

Ao mesmo tempo, reconhece que o aumento da concorrência, incluindo laboratórios chineses com outras prioridades, torna essa equação cada vez mais instável.