IBM e Microsoft travam batalha por executivo brasileiro

Por Stephanie Kohn | 03 de Julho de 2020 às 13h11

Uma ação judicial movida pela IBM contra seu ex-presidente da filial brasileira, Rodrigo Kede, está interferindo nos planos de operação da Microsoft na América Latina. A dona do Windows decidiu contratar Kede como substituto do seu ex-presidente para a região latino-americana, César Cernuda.

A expectativa era que Kede assumisse o cargo dois dias depois de sair da Big Blue, em 20 de maio, mas a empresa decidiu barrar a contratação movendo uma ação no tribunal de justiça dos Estados Unidos.

A IBM alega que o executivo estaria violando o acordo de não competição, que prevê que ele fique fora do mercado por até 12 meses após sua saída, e estaria pedindo a devolução de US$ 1,3 milhão em ações recebidas.

A empresa conseguiu uma liminar para barrar a nomeação de Kede e uma nova audiência está marcada para 14 de julho.

O site NeoFeed teve acesso a um contrato que executivos do alta escalão da IBM assinam quando assumem funções executivas seniores. O contrato deixa claro que o funcionário não pode trabalhar em um concorrente direto ou indireto nos próximos 12 meses após o desligamento.

Essa condição vale para o que é chamada de área restrita, que significa qualquer geografia na qual o executivo tenha trabalhado. Kede já foi responsável pela América Latina na IBM, mesmo cargo que iria ocupar agora na Microsoft.

Só a IBM poderia abrir mão dessa cláusula, segundo apurou o NeoFeed. E não haveria forma de Kede ser liberado pagando uma multa.

Na ação que está na Justiça americana, a IBM diz que Kede estava entre o 1% dos executivos da alta cúpula da IBM, com um assento na mesa ao lado do presidente e do diretor executivo globais da empresa.

A IBM afirma também que ele estava a par de segredos e de estratégias corporativas, incluindo informações confidenciais sobre os principais clientes da empresa.

Além disso, a big blue cita a computação em nuvem como uma de suas áreas com forte concorrência com a Microsoft na América Latina, região em que Kede teria profundo conhecimento.

Kede, na visão da IBM, representaria uma ameaça “não apenas porque conhece os segredos comerciais da empresa, mas também porque desenvolveu relacionamentos com importantes e potenciais clientes da IBM”.

Procurado, Kede não retornou aos pedidos de entrevista do NeoFeed. Mas ele se defendeu na ação. Em uma declaração judicial, o executivo afirmou que a IBM não tem interesse legítimo em impedi-lo de aceitar o cargo na Microsoft.

“Meu trabalho na Microsoft não colocará a IBM em nenhuma desvantagem competitiva”, afirmou Kede. Ele acrescentou que sofrerá “dificuldades indevidas significativas” se não for permitido trabalhar por um ano.

Para Kede, a IBM está exagerando sobre seu conhecimento de produtos e estratégias. O executivo também afirmou que não conhece os planos globais de negócios e de investimentos para os próximos 12 meses e que não faz negócios para a IBM na América Latina desde julho de 2018.

O executivo alegou ainda que seu conhecimento de computação em nuvem é mínimo e que a afirmação de que a IBM é uma séria concorrente da Microsoft em computação em nuvem é “duvidosa”. A América Latina, segundo Kede, representa apenas 5% do mercado global de tecnologia da big blue.

Fonte: NeoFeed e Valor Econômico

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