Estudo da Uber e Lyft aponta que apps aumentaram trânsito em grandes centros

Por Felipe Demartini | 06 de Agosto de 2019 às 12h38

Um estudo encomendado pela Uber e Lyft chegou a uma conclusão não muito agradável para as empresas: aplicativos de transporte vêm sendo responsáveis pelo aumento do tráfego nas grandes cidades. A análise foi feita pela Fehr Peers, uma consultoria especializada no mercado de transportes, e chegou à conclusão de que, apesar de os números gerais das metrópoles serem pequenos, a história é outra quando se analisam os grandes centros.

Por exemplo, em cidades como Seattle ou San Francisco, nos Estados Unidos, o aumento na quantidade de quilômetros rodados por veículo aumentou pouco, com 1,1% e 2,7% respectivamente. Esse total, entretanto, leva em conta áreas residenciais, zonas metropolitanas e distritos industriais, onde o movimento nem sempre é grande. No centro das cidades, entretanto, a ideia é que essa quantia mais do que dobrou nos últimos anos.

Em San Francisco, por exemplo, o total de quilômetros trafegados por veículo da Uber ou Lyft é de 13,4%, enquanto em Boston, é de 8%. Washington ficou na terceira colocação, com 7,2%. Por mais que os veículos particulares ainda sejam a maioria, esse avanço de penetração mostra que, com o aumento da demanda por parte dos usuários, veio também uma maior quantidade de carros, que congestionaram os locais mais movimentados das metrópoles.

Os números, inclusive, são maiores do que as estimativas dos departamentos de trânsito das cidades analisadas. Além disso, a pesquisa levantou outro dado interessante, indicando que o total de jornadas de Uber e Lyft com passageiros varia de 54% a 62%, de acordo com a hora do dia e a região. Ou seja, em alguns locais, metade das viagens são feitas com o carro vazio, seja com os motoristas indo buscar um cliente ou, simplesmente, buscando uma região melhor para obter a próxima corrida.

Mais uma vez, entra em jogo a busca pelos grandes centros, os locais com maior índice de tráfego, mas, também, maior volume de chamadas. A pesquisa não descarta a ideia de que a utilização de apps de transporte pode reduzir o trânsito nas grandes cidades, mas faz questão de provar que o contrário é a realidade hoje, na medida em que os donos de carros particulares (que representam de 87% a 99% do volume nas grandes cidades) não abriram mão do uso deles, enquanto aqueles que não possuem veículos passaram a utilizar Uber ou Lyft, em vez do transporte coletivo.

A Fehr Peers volta seu olhar para cidades como Londres ou Nova York, que aplicaram impostos diferentes para utilização das ruas de áreas centrais como alternativa para reduzir o trânsito. Com preços mais altos, tanto para carros de aplicativo quando particulares, houve uma clara redução na utilização dos veículos, apesar de essa não ser necessariamente a medida preferida das empresas do setor.

Fonte: Fehr Peers, CityLab

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