Drones e automação transformam a eficiência operacional no agronegócio do Brasil
Por Marcelo Fischer Salvatico | •

O agronegócio brasileiro passa por uma transformação operacional com a consolidação de tecnologias de automação, como tratores autônomos e drones agrícolas. Essas ferramentas substituem o modelo tradicional de campo ao reduzir o desperdício de insumos e otimizar a tomada de decisões.
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Em entrevista ao Podcast Canaltech, o engenheiro agrônomo e diretor comercial da Sell Agro, Alexandre Gazoni, destacou a velocidade dessa transição no país. Conforme o especialista, o setor lida atualmente com plantadeiras autônomas e equipamentos aéreos de alta performance, comparáveis ao ritmo de atualização da telefonia móvel.
Eficiência operacional e redução de custos no campo
Os drones oferecem vantagens práticas em terrenos de difícil acesso, como áreas alagadas, onde o maquinário terrestre enfrenta restrições de entrada por dias. Em locais com bordas de mata, o uso do drone elimina o tempo gasto por aviões agrícolas em manobras de alinhamento.
De acordo com Gazoni, a integração dessas tecnologias gera economia significativa para o produtor. "Ele estaria economizando uns 3 mil reais por dia, só de combustível da aeronave", afirmou.
O impacto financeiro também é observado na preservação das culturas durante a aplicação de defensivos. A entrada de tratores tradicionais em lavouras fechadas esmaga as plantas, gerando perdas mensuráveis na colheita. "No lugar onde o drone fez, foram 6 sacos de soja [a mais]", explicou o engenheiro agrônomo.
Essa economia de produto valida o investimento em frotas tecnológicas tanto para grandes propriedades de até 700 hectares quanto para produtores de menor porte. Atualmente, o mercado disponibiliza modelos segmentados de diversos tamanhos, ampliando o acesso à tecnologia.
Gargalos técnicos e a necessidade de profissionalização
Apesar dos benefícios econômicos, a expansão das ferramentas esbarra na falta de conhecimento técnico e em barreiras culturais do setor.
A compra de equipamentos de segunda mão por operadores sem treinamento adequado resulta em erros de aplicação química e danos nas lavouras. Gazoni alertou que o drone exige um manuseio preciso para garantir a rentabilidade projetada. "Como toda ferramenta nova, ela tem que ser tratada como um bisturi e não como uma marreta", ponderou.
A evolução do setor indica uma tendência de gerenciamento voltada para a inteligência de dados e processos autônomos noturnos. Fazendas já utilizam pulverizações aéreas automatizadas durante a noite combinadas com monitoramento via satélite de alta precisão. Essa reestruturação afasta a fazenda tradicional do modelo antigo e a aproxima de uma operação baseada em alta tecnologia.
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