Disney+ remove 4K, HDR10 e Dolby Vision sem avisar assinantes no Brasil
Por Marcelo Fischer |
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O Disney+ retirou o suporte a 4K UHD, HDR10 e Dolby Vision de sua plataforma no Brasil, segundo relatos de assinantes. A mudança também aparece no site oficial do streaming, que agora informa resolução máxima de 1080p, embora o plano Premium continue custando R$ 69,90 mensais.
A situação ganhou repercussão nesta quinta-feira (22), após usuários denunciarem a perda dos recursos no Reddit. Segundo os relatos, a Disney não comunicou previamente a alteração, que afeta tecnologias oferecidas como diferenciais da assinatura mais cara.
Ao verificar o site brasileiro do Disney+, o Canaltech constatou que a empresa passou a anunciar transmissão de até 1080p e áudio Dolby Atmos. Anteriormente, a página informava suporte a vídeos em 4K UHD e HDR.
O Dolby Atmos, tecnologia que proporciona uma experiência de áudio espacial, permanece disponível.
O Canaltech entrou em contato com a Disney para confirmar a suspensão dos recursos no Brasil e esclarecer desde quando a medida está em vigor e quais aparelhos ou conteúdos foram afetados. A reportagem será atualizada assim que houver resposta.
Por que o Disney+ removeu o 4K?
A mudança pode estar relacionada a uma disputa judicial envolvendo a Disney e a InterDigital, empresa americana que possui patentes utilizadas em tecnologias de transmissão e compressão de vídeo.
Em setembro de 2025, a 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro concedeu uma liminar favorável à InterDigital, que acusou a Disney de utilizar suas tecnologias sem as licenças necessárias.
A decisão envolveu patentes relacionadas aos padrões AVC e HEVC, utilizados na compressão de vídeos para transmissão pela internet.
Em maio de 2026, a decisão foi mantida em segunda instância, conforme documentos apresentados pela InterDigital à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).
Disputas semelhantes também ocorreram na Europa e levaram o Disney+ a suspender recursos de imagem em diferentes países.
Em julho, o portal FlatpanelsHD informou que a plataforma havia removido o suporte a 4K e HDR10 em mercados europeus, depois de já ter suspendido o Dolby Vision.
A Disney chegou a recuperar a transmissão em 4K em determinados aparelhos por meio da adoção de outra tecnologia de compressão, chamada VP9. Entretanto, a solução não restabeleceu todos os formatos de imagem anteriormente disponíveis.
No Brasil, um assinante relatou no Reddit que o suporte do Disney+ atribuiu a indisponibilidade dos recursos a um processo judicial envolvendo patentes.
Apesar do histórico de disputas, ainda não há confirmação oficial de que a decisão judicial brasileira seja a responsável direta pela retirada dos recursos no país.
Disney+ Premium continua custando R$ 69,90
A perda dos recursos chama atenção porque a Disney não anunciou uma redução no preço do plano Premium.
Atualmente, a assinatura mais cara custa R$ 69,90 por mês, enquanto o plano Padrão sai por R$ 49,90.
O Premium mantém benefícios como acesso a todos os canais da ESPN, reprodução simultânea em quatro aparelhos e áudio Dolby Atmos.
Porém, a resolução máxima de 1080p agora anunciada pela plataforma é a mesma oferecida pelo plano Padrão.
No Reddit, usuários reclamam da alteração e afirmam que contrataram a modalidade mais cara justamente para assistir a filmes e séries com maior qualidade de imagem.
Há também uma reclamação publicada no Reclame Aqui em 22 de outubro, na qual um assinante afirma ter perdido o acesso ao 4K, HDR e Dolby Vision e questiona a manutenção do preço integral.
A Disney ainda não informou publicamente se pretende compensar os consumidores brasileiros, oferecer descontos ou estabelecer um prazo para o retorno dos recursos.
Assinantes podem pedir reembolso?
A retirada de recursos anteriormente oferecidos em uma assinatura pode levantar questionamentos com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC).
O artigo 20 estabelece que, diante de serviços com qualidade inferior à anunciada, o consumidor pode exigir medidas como restituição do valor pago ou abatimento proporcional do preço, conforme as circunstâncias.
Isso não significa que todos os assinantes tenham direito a um reembolso automático. A análise depende das condições contratadas e dos serviços efetivamente disponibilizados.
Na França, onde o problema também afetou assinantes, a associação de consumidores UFC-Que Choisir notificou a Disney em setembro de 2026, cobrando uma solução, maior transparência e compensações.
No Brasil, consumidores podem inicialmente procurar o atendimento do Disney+ e registrar a solicitação. Caso o problema não seja solucionado, também é possível recorrer ao Procon ou à plataforma Consumidor.gov.br.
Veja também: 5 formas de assinar o Disney+ mais barato