Greve de caminhoneiros afeta apps de transporte

Por Stephanie Kohn | 25 de Maio de 2018 às 17h04
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
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A greve dos caminhoneiros autônomos deixou centenas de postos de gasolina sem abastecimento em algumas cidades do país, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Com isso, condutores de diversas localidades ficaram sem gasolina e optaram por táxis e aplicativos de transporte. No entanto, cinco dias após a greve, o desabastecimento começa afetar também os motoristas profissionais.

O engenheiro Rafael Arranz, cliente assíduo do Uber, relata que desde quinta-feira (24) tem tido dificuldades em achar carros. “Ontem [quinta] à noite esperei 22 minutos um carro e não estava trânsito. Eu estava na Vila Olímpia [bairro da zona sul de São Paulo] e o carro veio do Paraíso [região centro-sul]. O próprio motorista me disse que não tinha quase ninguém do Uber rodando”, comentou. 

Já o motorista Jorge Arruda informou que nos dois primeiros dias da greve conseguiu aproveitar o aumento das chamadas, mas hoje à tarde pararia o carro. “Meu tanque está na metade e tenho que ir para casa, em Mairiporã [município da zona norte de São Paulo]”, declarou durante corrida no bairro de Moema, zona sul de São Paulo. “Não sei quando volto”, completou.

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O Canaltech entrou em contato com os três principais apps de transportes, Uber, 99 e Cabify, e todos afirmaram não haver dados concretos sobre diminuição de corridas. As empresas, no entanto, parecem preocupadas com a situação.

“Neste exato momento estamos nos preparando para ajudar os motoristas com informações de locais para abastecimento. Faremos o possível para ajudar os motoristas a manterem sua fonte de renda”, explicou Matheus Moraes, presidente da 99, em entrevista ao Canaltech na tarde desta sexta-feira (25).

A Uber disse, por meio de e-mail, que “reforçou os canais de atendimento para estar em contato permanente com os parceiros e usuários, e prestar o suporte possível.” A Cabify, por fim, comunicou que "está estudando como balancear o impacto operacional da alta no preço do combustível em cada cidade sem que isso inviabilize a prestação de serviços por parte do motorista parceiro e atinja diretamente os valores cobrados dos usuários."

Preços

Identificado como Walter, outro motorista do Uber relatou na tarde desta sexta-feira (25) que somente hoje os preços das corridas tiveram alta. "Para os clientes é péssimo, mas para nós é ótimo", disse.

A assessoria de imprensa da empresa comunicou, no entanto, que os valores são determinados diante da demanda por carros e que, em situações como chuva intensa ou feriados, os preços costumam subir ainda mais. No momento em que a matéria foi escrita, uma corrida com o Uber estava com peso duas vezes maior.

Na quinta-feira (24), a Cabify alterou a tarifa mínima de determinadas cidades para a reduzir o impacto gerado pela alta dos combustíveis por período indeterminado. A empresa reforçou em comunicado que "o Custo Adicional por Alta Procura ocorre em áreas e períodos específicos do dia, onde não existam motoristas parceiros suficientes disponíveis para atender todos usuários."

A companhia também relatou que para reduzir o tempo de espera dos usuários em locais e horários com grande procura de carros, a tarifa sofrerá variações para incentivar motoristas parceiros na prestação do serviço de transporte privado gerando maior rentabilidade para eles. Além disso, a plataforma tem limite no fator multiplicador da tarifa.

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