Consumidores poderão usar o Pix para parcelar pagamentos

Por Rui Maciel | 29 de Janeiro de 2021 às 14h40
Serpro

Sistema de pagamentos e transferências do Banco Central (bc), o Pix, de forma gradual, vem ganhando cada vez mais recursos. E na 12º reunião plenária do Fórum Pix, que aconteceu na última quinta-feira (28), foi anunciado que a solução parcelará pagamentos, uma funcionalidade prevista para chegar ainda esse ano. Com o nome de Pix Garantido, ela permitirá que as transações sejam pagas em prestações, a partir de uma operação de crédito e que terá juros.

O anúncio do recurso foi feito por João Manoel Pinho de Mello, diretor do Sistema Financeiro e de Resolução do BC. E além do parcelamento, o Pix passará também a aceitar pagamentos por aproximação, funcionalidade também prevista para 2021.

Mais usado em transferências

Ainda segundo o executivo, o sucesso do Pix vem superando as expectativas do BC, principalmente em casos de transferência. A plataforma já responde por 78% de todas as transferências bancárias feitas no Brasil. Segundo os dados averiguados pelo site 6 Minutos, junto ao BC e a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), entre os dia 1 e 17 de janeiro deste ano, foram efetuadas 87,1 milhões de transferências por meio do Pix no país, o que corresponde a 77,9% do total de transações dessa natureza. Os TEDs ficaram na segunda colocação, com 18 milhões de operações, seguido pelos DOCs, com 6,5 milhões. Para efeito de comparação, o uso do Pix em dezembro do ano passado representava 68,5% do total de transferências.

Ainda de acordo com o levantamento, o valor médio das transferências via Pix é de R$ 700 nos dados parciais de janeiro, um ticket médio 1302% maior do que os TEDs (R$ 49,90).

Uso do Pix será ampliado para serviços de telefonia

Ainda durante a reunião do Fórum Pix, em que foi assinado acordo para implantação do PIX Cobrança, ficou acertado que haverá ampliação do uso da ferramenta para pagamento de serviços pós-pagos de telefonia. Até o momento, apenas usuários de serviços pré-pagos se beneficiam da modalidade. A novidade foi anunciada pela Conexis Brasil Digital, nova marca do SindiTelebrasil - entidade que representa empresas de telecomunicações e de conectividade no país. E que é primeira entidade do setor privado a assinar um termo de cooperação com o Banco Central acerca da plataforma.

Segundo a Conexis, a novidade representa a capacidade de atender nada menos que 50% dos clientes que hoje fazem uso de conectividade e telefonia. “Estamos muito entusiasmados com a possibilidade de ofertar mais vantagens para a população e operadoras", afirmou Marcos Ferrari, presidente-executivo da entidade. "Sobretudo em meio à pandemia, a conectividade tem exercido papel fundamental e representa o principal meio de acesso aos serviços bancários”.

Estrutura de pagamento do Pix (Imagem: Divulgação / Banco Central)

Para Pinho de Mello, o avanço do acordo entre o BC e a Conexis também representa ganhos relevantes para as operadoras. “A oferta do PIX irá promover uma redução de custos de arrecadação, uma vez que hoje [as operadoras] precisam fazer convênios com outras empresas para realizar tal atividade”, afirmou. "Ao garantir benefícios para todos os participantes do processo, e por envolver alguns dos principais atores em seus respectivos setores, o avanço do acordo sobre o PIX Cobrança tem potencial de gerar uma dinâmica de pagamentos sem precedentes: de forma simples, rápida e eficiente".

Maior disseminação

Ainda que o Pix venha apresentando ótimos números entre aqueles que já adotaram o sistema, falta ainda uma maior disseminação da solução entre a população. Pesquisa realizada pela área de Inteligência de Mercado da Rede Globo em dezembro do ano passado indicou que quase 30% dos brasileiros não sabem que é possível usar a plataforma não apenas para transferir dinheiro, mas também efetuar pagamentos em estabelecimentos comerciais físicos e online (e-commerce).

Um dos maiores motivos para esse desconhecimento seria a baixa adesão do varejo ao Pix. Em sua maioria, as empresas não dispõem de ferramentas que permitam o uso da solução para pagamentos em seus pontos de venda (PDV), bem como fornecem informações sobre as tarifas. No entanto, esse cenário deve mudar nos próximos meses, com as varejistas percebendo as vantagens da plataforma.

Outras funções para o Pix

Além da possibilidade de parcelamento e do pagamento por aproximação, o Pix também já teve outras novidades anunciadas. Entre elas estão a possibilidade de realizar saques em dinheiro nos mais diversos estabelecimentos como em lojas e caixas de supermercados; o Pix Debito Automático que, como o próprio nome diz, permitirá o pagamento nesse padrão para contas recorrentes e a possibilidade de devolução do dinheiro em casos de suspeita de fraudes ou falha do sistema;

Por fim, a solução terá ainda a conta salário Pix, com o usuário podendo movimentar valores por meio da plataforma. E também haverá uma integração da lista de contatos dos smartphones com os apps bancários que usam o Pix e que facilitará o preenchimento e identificação das informações dos usuários nas transações.

Com informações da Conexis Brasil Digital

Fonte: Poder 360  

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