As 8 principais conclusões sobre desenvolvimento para a Internet das Coisas

Por Colaborador externo | 17 de Agosto de 2015 às 12h02

Por Matthew Gharegozlou*

A Internet das Coisas (IoT) fez com sucesso a transição de um conceito futurista à realidade tangível. O fenômeno wearable e a promessa de um frigorífico ligado ou torradeira em cada 'casa inteligente' estão provando ser os primeiros pilotos, com o ecossistema suscetível de expansão ao longo do tempo.

De fato, a evolução da Internet das Coisas - IoT - está acontecendo de uma forma mais rápida que a imaginada. De acordo com uma pesquisa global da Tata Consultancy Systems junto a 795 empresas, 12% das entrevistadas esperam investir até USD 100 milhões em IoT entre 2015 e 2018. A mesma pesquisa mostra que 3% das empresas globais planejam investir cerca de USD 1 bilhão nesse mesmo período. Nas empresas da América Latina, espera-se um crescimento de 18,3% nas receitas geradas pela adoção da Internet das Coisas.

Do ponto de vista da indústria de software, a avaliação também é de que esta tecnologia está em plena aceleração.

A Progress, encomendou uma pesquisa junto a 675 desenvolvedores de aplicações para avaliar suas expectativas com relação à Internet das Coisas (IoT). O relatório visa prever as tendências futuras nesse novo nicho de evolução muito rápida. Vejamos abaixo as principais conclusões:

1. O termo "IoT" é confuso

O que é Internet das Coisas? O que esse termo significa?

Parece haver resistência ao próprio termo por parte de 48% daqueles que responderam à pesquisa. O conceito chegou a ser descrito como confuso, enganoso, e até mesmo como uma jogada de marketing.

Para outros, a expressão tem sido tão usada a tal ponto de perder o seu significado. Fica a impressão de que, que antes de embarcar em uma discussão sobre a criação de um produto baseado em tecnologia IoT, a equipe de desenvolvimento pode precisar, primeiro, esclarecer a utilização desse termo. E é o que tentaremos neste espaço.

2. Trata-se de um nicho animador, mas exigente de muito preparo

45% dos entrevistados da pesquisa já estão envolvidos no desenvolvimento de ao menos uma aplicação IoT.

Fica evidente que é um nicho muito atrativo, a tal ponto de os desenvolvedores estarem trabalhando em dispositivos IoT, seja em seu dia-a-dia ou, pelo menos, nas horas vagas.

Nada menos que 77% dos desenvolvedores se dizem animados com o potencial do setor.

Entretanto, apenas metade dos entrevistados alegou ter as habilidades realmente necessárias para desenvolver tais aplicações, o que para alguns é preocupante. Daí o dado sintomático de que a maior tendência dos desenvolvedores é voltar suas estratégias para as tecnologias de código aberto que oferecem acesso bem mais fácil ao aprendizado, o que pode encurtar o caminho para a adoção.

3. O Que Já Está Funcionando na Área?

De acordo com os entrevistados, os segmentos mais interessantes e atualmente já servidos por dispositivos e serviços de desenvolvimento em Internet das Coisas, incluem os nichos de automação residencial, dispositivos wearable (usáveis) e de fitness, além de aplicações automotivas.

Saltam à vista alguns casos claros de sucesso como o recente IPO da FitBit (empresa global focada em objetos inteligentes para ginástica e uso pessoal) e com a popularização nas grandes lojas globais dos dispositivos domésticos da Nest (uma empresa especializada em produtos "smart" como câmeras de monitoramento doméstico, detectores de fumaça de cigarro ou controladores de temperatura ambiente).

Todos esses são exemplos de companhias com forte apelo de mercado que estão abrindo o mercado de consumo para os negócios relacionados à Internet das Coisas.

Tais aplicativos podem ser vistos, portanto, como pioneiros em uma história que ainda está se desenrolando.

4. As Tendências Futuras

Saúde, aplicações de uso urbano e automotivas são classificadas com alto potencial para futuras aplicações de Internet das Coisas.

Acompanhando, por exemplo, as estatísticas relativas ao nicho de saúde, que é um mercado de particular interesse para mim, posso destacar que já existem plugins disponíveis no mercado, prontos para facilitar o desenvolvimento de aplicações para uso médico-hospitalar voltados para iOS. Este é o caso, por exemplo, do plugin HealthKit Cordova, desenvolvido pela Telerik, que pode ser facilmente acessado.

A ponte entre a coleta de dados de saúde e o compartilhamento adequado de dados, com segurança e proteção para os prestadores de serviços de saúde, permanece um desafio-chave na evolução deste setor, mas é um segmento animador para se acompanhar de perto.

5. Você pode ganhar dinheiro com a Internet das Coisas... mas ainda no futuro

Apenas 65% das aplicações de Internet das Coisas foram relatadas como tendo gerado receitas pelos pesquisados. No entanto, os desenvolvedores parecem acreditar que o foco em serviços de gerenciamento de dados de usuários apresentou um potencial mais estratégico em termos de negócios. Há uma expectativa de que a receita venha a aumentar à medida que este campo das aplicações amadurece um pouco mais.

6. Android e Java são particularmente populares como plataforma e linguagem, respectivamente

Neste levantamento, Java e Android foram citados como a forma preferida para se desenvolver aplicações para Internet das Coisas. Munidos com o conjunto de ferramentas de sua escolha, apenas 50% dos desenvolvedores sentiram que tinham as habilidades e recursos para entregar aplicações IoT capazes, por exemplo, de ler, armazenar e analisar os dados retornados a partir de sensores.

7. Segurança e privacidade são vistas como os principais desafios

Seja como for, a maior real preocupação expressa pelos desenvolvedores é em relação à segurança e privacidade dos sensores usados em IoT e dos dados que eles armazenam. A integração de dispositivos para transferir todos os dados críticos também apresenta problemas. Por exemplo, se é verdade que os dados de saúde estão sujeitos a se tornar o próximo alvo das aplicações "assassinas", a segurança precisa ser extremamente bem construída para garantir a privacidade.

8. Para onde iremos a partir daqui?

Curiosamente, os desenvolvedores parecem sentir que os dispositivos de Internet das Coisas serão substituídos nos próximos 5-10 anos por algo ainda mais interessante.

Um sentimento de mudança no futuro parece resumir o panorama deste novo nicho em seu rápido movimento. A impressão é de que há sempre algo ainda melhor ao virar da esquina e de que precisamos nos manter em sintonia com esta transformação constante.

*Matthew Gharegozlou é Vice-presidente da Progress para a América Latina e Caribe.

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