Alibaba abre 2 data centers no Brasil para desafiar Microsoft, Google e AWS em IA
Por Marcelo Fischer |
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A Alibaba Cloud lançou nesta quinta-feira (27) sua primeira região de nuvem no Brasil, com dois novos data centers dedicados a empresas, startups, desenvolvedores e instituições públicas. É a primeira operação da divisão de computação em nuvem da Alibaba na América do Sul.
O movimento integra um compromisso global de US$ 53 bilhões (cerca de R$ 273 bilhões, na cotação atual) do Alibaba Group para investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A companhia não detalhou quanto será destinado especificamente às unidades brasileiras.
Com a nova estrutura, a Alibaba Cloud passa a operar 106 zonas de disponibilidade em 31 regiões ao redor do mundo. A empresa já havia inaugurado uma região no México em fevereiro de 2025, primeiro passo da expansão latino-americana.
Portfólio de nuvem com prioridade para IA agêntica
Os data centers brasileiros oferecerão o portfólio completo de produtos da Alibaba Cloud, incluindo computação, armazenamento, contêineres, redes, segurança e bancos de dados. A empresa destaca baixa latência e adequação às regras locais de cibersegurança e proteção de dados entre os atributos da nova região.
A companhia também planeja trazer ao Brasil serviços de IA agêntica voltados a empresas, cobrindo desde o desenvolvimento até a operação e a segurança de agentes de IA. Fazem parte do pacote o ACS Agent Sandbox, para execução de agentes em ambientes isolados, o DAS Agent, para manutenção de bancos de dados, e o DataWorks Data Agent, que promete automatizar pipelines de dados por linguagem natural. Ferramentas como o AI Security Guardrails 2.0 completam a oferta voltada à segurança dessas operações.
Allen Guo, gerente-geral da região da América Latina e vice-presidente de Negócios Internacionais da Alibaba Cloud Intelligence, descreveu o Brasil como um mercado central para a expansão da empresa na região.
Parcerias locais
A Alibaba Cloud fechou acordos com duas empresas brasileiras para acelerar a adoção de seus serviços. A Insi vai utilizar o portfólio de nuvem e IA da companhia para atender grandes e médias empresas, segundo Roberto Certo, Chief Revenue Officer da provedora.
Já a 4Linux, especializada em software de código aberto, vai combinar os modelos da família Qwen com sua experiência local em implantação e treinamento. O cofundador da empresa, Marcelo Marques, afirmou que a nova região oferece uma base para escalar soluções de IA no país.
Disputa por espaço no mercado global de nuvem
A expansão brasileira acompanha uma sequência de lançamentos de modelos abertos da família Qwen. O mais recente, o Qwen3.8-Flash, é um modelo multimodal com 125 bilhões de parâmetros totais e 6 bilhões ativados por token. A empresa também abriu os pesos do Qwen3.8-2.4T-A95B, seu modelo mais robusto até hoje, com 2,4 trilhões de parâmetros totais e janela de contexto de até 1 milhão de tokens, hoje na terceira posição do ranking CodeArena.
No mercado chinês de infraestrutura computacional como serviço, a Alibaba Cloud detém mais de 30% de participação, à frente de concorrentes como Huawei e Tencent, segundo a consultoria Omdia. Fora da China, a disputa muda de adversários: o avanço para México, França, Japão, Coreia do Sul, Malásia e agora Brasil coloca a empresa em confronto direto com AWS, Google Cloud e Microsoft Azure em mercados emergentes.
A Alibaba Cloud ainda não informou quando pretende iniciar a operação dos serviços de IA agêntica especificamente no Brasil. O anúncio confirma a instalação dos dois data centers, mas não estabelece um cronograma para essa etapa seguinte.