A falta de ritmo entre a Era Digital e o profissional de Segurança da Informação

Por Colaborador externo | 06 de Março de 2018 às 06h30
photo_camera Khakimullin/Depositphotos

* Por Gina Van Dijk

Com o avanço da Era Digital, a informação é cada vez mais considerada como o bem mais valioso para as organizações. Junto a isso, as inovações tecnológicas tornaram-se diferenciais competitivos e de grande impacto nos negócios, atingindo diretamente no lucro e, principalmente, na credibilidade das corporações. Em contrapartida, esse imensurável acesso ao mundo digital também esconde perigos. Dia após dia nos deparamos com ações mal-intencionadas de hackers que realizam, além da distribuição de vírus pelas redes, o trabalho de espionagem corporativa e tentativas de fraudes organizacionais.

Manter a integridade de dados sigilosos contra qualquer tipo de ameaça é o principal foco dos profissionais de Segurança da Informação, especialidade hoje que comporta poucos disponíveis e que tende a diminuir nos próximos anos. Conforme estudo realizado pelo (ISC)², em 2020, haverá falta de 185 mil profissionais capacitados na América Latina, a exercerem essas atividades.

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A baixa disponibilidade de especialistas em Segurança da Informação também tem refletido no cotidiano das empresas por meio de modelos de gestão deficientes, falta de governança e de análises preventivas de riscos no ecossistema de TI. Hoje, os investimentos em segurança ocorrem, em sua grande maioria, de maneira errada, com foco em novas tecnologias e não em processos de trabalhos específicos para cada situação, que deveriam ser orientados pelos especialistas.

Segundo estudos, desde 2015, há um aumento gradativo de investimentos em segurança de dados, sendo que 86% das empresas na América Latina possuem alguma estratégia para a área mesmo que em fase inicial. Porém, apenas 42% desse total apontam a inclusão de um gerenciamento adequado durante o processo de implementação de ações seguras. Fato que comprova a oportunidade para o mercado de trabalho.

Outro fator que podemos caracterizar como desafio para o setor é o custo para o desenvolvimento profissional. Cerca de 44% dos profissionais acabam assumindo todos os custos para conseguirem se aprimorar, tornando mais difícil ampliar a disposição de pessoas gabaritadas para atenderem às demandas das empresas.

É fato que qualquer organização com presença digital está exposta a eventuais ameaças. A constante evolução dos cibercriminosos e a falta de mão de obra qualificada parece ser um pesadelo infindável para os CIOs. Além disso, os riscos não se limitam apenas à iniciativa privada e pública porque a falta de segurança está no dia a dia de pessoas comuns que acessam suas redes sociais, e-mails ou sites específicos. Ou seja, a Segurança da Informação já não é mais apenas um problema tecnológico, mas que afeta diretamente a todos. Para resolver essas questões, é fundamental termos profissionais especializados em segurança digital, ainda mais na América Latina onde surgem novas ameaças todos os dias.

O mercado continuará em busca de profissionais especializados, com perfil dinâmico e conhecimento nas diferentes esferas de negócio, para poderem atuar na segurança das empresas. O sucesso empresarial estará diretamente ligado ao sucesso digital e, por isso, teremos um novo cenário de oportunidades pela frente. As empresas devem começar a investir na capacitação de seus profissionais de segurança da informação, a fim de apoiá-los no seu processo contínuo de desenvolvimento e atualização. Treinamento e conhecimento serão as armas de proteção das empresas que buscam promover estratégias bem-sucedidas de transformação digital.

* Gina Van Dijk é Diretora Regional do (ISC)² América Latina

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