Editoras e escritores acusam Amazon de práticas desleais

Por Redação | 23.05.2014 às 16:32

A Amazon tem mostrado todo seu poder diante de quem decide contrariar suas regras. A rede varejista comprou briga com a comunidade literária ao desencorajar consumidores a comprar livros da editora Hachette, uma das maiores de Nova Iorque.

De acordo com o jornal The New York Times, a queda-de-braço com editoras e escritores já vem acontecendo há algum tempo e ganhou mais notoriedade no início de maio quando a varejista entrou em rota de colisão com a editora devido a cláusulas contratuais. Insatisfeita, a Amazon aumentou os preços e o prazo para entrega dos livros da Hachette e passou a oferecer livros similares de outras editoras com preço menor.

Na terça-feira (20), a Amazon recusou pedidos de livros oriundos da Hachette, até mesmo possíveis best-sellers, como "The Silkworm", de J.K. Rowling, a bem-sucedida escritora da série Harry Potter. Outros títulos, como "The Everything Store: Jeff Bezos and the Age of Amazon", de Brad Stone, simplesmente ficaram "indisponíveis" de uma hora para outra.

AMAZON

Em outros casos, como o do romance "The Girls of August", de Anne Rivers Siddons, as páginas promocionais desapareceram e nem mesmo é possível encontrar o título em lojas físicas ou via Kindle.

A birra da varejista não para por aí. Na Alemanha, a Amazon também vem praticando táticas semelhantes com a editora Bonnier. "Ao que parece, a Amazon está fazendo no mercado alemão exatamente o que faz nos Estados Unidos: usa sua posição dominante no mercado para chantagear editoras", disparou o presidente das Editoras Alemãs e Associação de Vendedores de Livros, Alexander Skipis. A associação, inclusive, vem sugerindo que especialistas analisem as manobras da Amazon com base na lei antitruste.

A briga entre a Amazon e editoras vem de longa data. Em 2010, os livros da Macmillan ficaram sem seus botões de compra na loja virtual.

Até mesmo escritores que antes tinham simpatia pela varejista agora engrossam o coro de repulsa às recentes táticas da empresa. "Sempre apoiei a Amazon, desde que ela existe. Estou chocada e irritada com o que estão fazendo", afirmou a escritora Nina Laden, autora de livros infantis, no Facebook.

"Aumentar o preço de nossos livros, colocar banners de outros similares mas com preços menores e dizer que nossos livros chegarão entre três e cinco semanas, mesmo eles estando disponíveis em estoque, não é apenas uma prática de negociação nojenta, mas também faz com que eu diga a meus leitores que comprem em qualquer outro lugar. E eles irão!", disse Nina.

A Amazon, por enquanto, não comentou as acusações das editoras e escritores.

Fonte: http://bits.blogs.nytimes.com/2014/05/23/amazon-escalates-its-battle-against-hachette/?_php=true&_type=blogs&hpw&rref=business&_r=0