Cientistas equipam águas-vivas com componentes eletrônicos para explorar o mar

Por Felipe Ribeiro | 03 de Fevereiro de 2020 às 08h48
Divulgação

Uma equipe de cientistas de Stanford e da Caltech teve uma ideia, no mínimo, curiosa para explorar os oceanos. A experiência consiste em anexar componentes microeletrônicos de baixa potência na parte inferior de águas-vivas para criar "robôs biohíbridos" que nadariam três vezes mais rápido que as espécies normais.

A ideia é permitir que um dia as “águas-vivas ciborgues” equipadas com sensores explorem as vastas profundidades dos oceanos do nosso planeta ao invés de depender de submarinos pesados ​​e ineficientes, o que também elevaria o custo. Em uma experiência, os cientistas foram capazes de usar pulsos elétricos de controladores microeletrônicos para fazer com que as águas-vivas nadassem não apenas mais rápido, mas também com mais eficiência, de acordo com um artigo publicado no Science Advances.

"Mostramos que elas são capazes de se mover muito mais rápido do que o normal sem grandes alterações em seu metabolismo", disse a coautora e candidata a PhD em bioengenharia de Stanford Nicole Xu. "Isso revela que as águas-vivas possuem uma capacidade inexplorada para nadar mais rápido e de forma mais eficiente, já que elas, geralmente, não têm um motivo para fazê-lo", completou.

Graças à simplicidade do design, os componentes eletrônicos usam ordens de magnitude com níveis inferiores de energia externa por massa do que outros robôs aquáticos, de acordo com o documento. Essas águas-vivas "híbridas" podem revolucionar a maneira como exploramos os mistérios dos oceanos do planeta e, para que isso ocorra, os pesquisadores já estão tentando levar o projeto adiante, adicionando controles e usando apenas algumas modificações na microeletrônica.

Instalar microchips em animais de diversas espécies e ecossistemas não é nenhuma novidade, pois muitos cientistas o fazem para colher informações sobre esses animais e nem tanto sobre os locais em si, além desses equipamentos não alterarem o comportamento dos indivíduos. Porém, essa nova experiência de Stanford e da Caltech alteraria o ritmo das águas-vivas, um dos animais mais controversos do mundo.

“Se pudermos encontrar uma maneira de direcionar essas águas-vivas e também equipá-las com sensores para rastrear coisas como temperatura do oceano, salinidade, níveis de oxigênio e assim por diante, poderíamos criar uma rede oceânica verdadeiramente global em que cada um desses espécimes de água-viva custaria pouco para ser equipado”, disse o principal autor e engenheiro mecânico da Caltech, John Dabiri, que ressaltou, também, que os animais não teriam sua vida aquática alterada, pois continuariam se alimentando das mesmas presas.

Fonte: Futurism

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