Aumento de radioatividade na Escandinávia pode vir de falha em usina russa

Por Rafael Arbulu | 08 de Julho de 2020 às 12h07

Países como Finlândia e Suécia, bem como a região escandinava e o norte europeu em geral, detectaram um súbito aumento de radioatividade ao final de junho, especificamente encontrando níveis elevados dos isótopos césio-134, césio-137 e rutênio-103. E, segundo a agência Associated Press (AP), os números podem ser relacionados a problemas nas usinas nucleares russas de Leningrado e Kola, as duas instalações do tipo mais próximas da região afetada.

O problema: segundo a autoridade russa para operações nucleares (Rosenergoatom), não foram relatados problemas nas duas usinas, que estão funcionando dentro dos volumes normais. A resposta russa foi emitida em um comunicado lido pela agência estatal de notícias TASS e reproduzida também pela AP.

Os isótopos citados foram identificados originalmente por Lassina Zerbo, secretário executivo da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, via Twitter. Ele ressaltou que os elementos citados não trazem perigo imediato aos seres humanos, embora sejam produtos derivados de fissão nuclear. Já o Instituto Nacional de Saúde Pública e Meio Ambiente da Holanda falou, por meio de um porta-voz, sobre as origens dos isótopos: “[Eles] são artificiais, ou seja, feitos pelo homem. A composição de seus núcleos pode indicar dano em algum elemento de combustível de uma usina nuclear”.

Devido ao baixo volume de testes e avaliações conduzidos, porém, o órgão ressalta que não é possível determinar uma fonte específica.

Repetição histórica?

Não é a primeira vez que a Rússia é implicada em alterações de volume de elementos nucleares por uma ampla região geográfica. Evidentemente, a maioria das pessoas é familiarizada com o incidente de Chernobyl, quando o reator nuclear da usina homônima foi o ponto central de um desastre que espalhou elementos radioativos por boa parte da antiga União Soviética e norte da Europa, em 1986. Na ocasião, níveis elevados de radioatividade foram detectados por autoridades na Suécia, de tão longe que chegaram seus impactos.

Mais recentemente, em 2017, uma nuvem radioativa que sobrevoou a Europa também foi relacionada à Rússia, portando um volume de rutênio-106 até mil vezes maior que a média. A Rússia também negou envolvimento no caso, embora um estudo de 2019 tenha trazido mais indícios do envolvimento do maior país em extensão territorial da Europa e Ásia.

Fonte: Associated Press, Live Science

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