A pandemia do novo coronavírus está afetando até a previsão do tempo; entenda!

A pandemia do novo coronavírus está afetando até a previsão do tempo; entenda!

Por Danielle Cassita | 17 de Julho de 2020 às 18h30

A pandemia de COVID-19 vem causando impactos diversos setores e em todo o mundo. Agora, pesquisadores publicaram um estudo no periódico Geophysical Research Letters porque descobriram que a crise pode estar afetando mais uma área: a meteorologia. As previsões do tempo podem estar menos precisas por causa da redução de 50% a 70% dos voos comerciais de maio a março, período em que muitas aeronaves ficaram em solo e não voaram.

Acontece que a aviação costuma realizar previsões do tempo devido aos registros de dados da temperatura do ar, umidade relativa, pressão e direção do vento na rota do voo. Entretanto, o estudo revelou que, como houve diminuição na quantidade de aviões que voaram nos últimos meses, as previsões das condições meteorológicas ficaram menos precisas. Se o cenário continuar assim, impactos poderão se tornar mais acentuados.

(Imagem: William Hook)

Ying Chen, pesquisador sênior associado no Environment Center da Universidade de Lancaster, é um dos principais autores do estudo, e aponta que é essencial ter previsões do tempo precisas devido aos impactos que a agricultura, setor de energia e até mesmo a rede elétrica das cidades podem sofrer. Durante seus estudos, ele comparou a precisão de previsões do tempo de março a maio de 2020 em relação ao mesmo período em anos anteriores, e concluiu que as previsões de 2020 têm menor precisão de temperatura, umidade, velocidade do vento e pressão atmosférica.

As consequências da diminuição da precisão nas previsões do tempo atingiram, principalmente, as regiões que possuem tráfego aéreo intenso, como Estados Unidos e Austrália. Curiosamente, a Europa Oriental mostrou um cenário diferente: mesmo com uma redução de mais de 80% nos voos, as previsões do tempo locais não foram tão afetadas. O pesquisador suspeita que isso tenha ocorrido em função do sistema regional que realiza as previsões, que conta com mais de 1.500 estações meteorológicas, capazes de formar uma rede de dados densa.

O estudo observa também que, quanto mais tempo levar para os meteorologistas poderem finalmente utilizar os dados das aeronaves, mais impactos ocorrerão nas previsões do tempo neste ano. Para Cheng, se toda essa incerteza chegar a um limite e ultrapassá-lo, podem ocorrer instabilidades na rede elétrica das cidades. “Isso poderia levar a um blecaute, e acho que essa é a última coisa que queremos ver em uma pandemia”, avisa ele.

Fonte: Phys.org

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