O que você precisa saber sobre o GNU/Linux - Principais ambientes gráficos

Por Pedro Cipoli | 19 de Março de 2018 às 18h45

Escolher uma distro Linux não significa ficar “preso” em uma interface específica. Naturalmente, algumas delas são ligadas intuitivamente a determinada distro, como no caso do Cinnamon com o Linux Mint, mas há uma boa liberdade de escolha entre uma distro e outra. E quais são as melhores que há por aí? Responder essa pergunta resulta em uma boa parcela de subjetividade, mas há pontos objetivos que podemos analisar.

Neste artigo vamos explorar as mais famosas, sem entrar em preferências pessoais (ainda que mencionemos algumas opiniões aqui e ali). Em uma segunda parte, vamos mencionar algumas menos famosas, mas que trazem diferenciais importantes.

Cinnamon

Apareceu como um fork do GNOME 3, sendo o ambiente de desktop principal do Linux Mint, uma das opções que mais oferece uma espécie de “transição natural” para quem vem do Windows. Oferece uma barra similar na parte de baixo, com um Menu, organização de janelas e relógio no canto direito inferior.

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Linux Mint com o Cinnamon mais recente.

O visual é sólido, mas cheio de efeitos, todos eles customizáveis. Exatamente por isso ele não é tão recomendado para máquinas muito antigas, ou não tão antigas mas muito simples (lembram dos netbooks?). Não chega a ser tão pesado quanto parece, mas é certamente bem mais exigente do que um LXDE, por exemplo.

Muitos ainda consideram o Cinnamon uma interface cheia de bugs, o que de fato foi “verdade” durante algum tempo. As primeiras versões do Linux Mint eram baseadas nas versões semestrais do Ubuntu, o que significava pouco tempo parra corrigir bugs. Após a mudança para versões LTS (como o Linux Mint 17, baseado no Ubuntu 16.04), esses problemas se tornaram cada vez mais raros.

KDE Plasma

Além de um ambiente de desktop completo, o KDE oferece um conjunto de aplicativos bastante completo. Inclui players de música e vídeo, editores de vídeo, e ferramentas de produtividade como o Microsoft Office. Assim como o Cinnamon, não é um dos mais leves que há por aí, mas certamente agrada quem busca um visual mais rebuscado.

KDE Plasma

Houve uma enorme mudança visual na versão mais recente, mantendo os seus pontos fortes. Entre eles o Dolphin, um dos mais poderosos gerenciadores de arquivo disponíveis, além do suporte a uma grande (enorme, na verdade) quantidade de widgets. Um recurso que gostamos particularmente é o Krunner, com uma função semelhante ao Dash do Unity, mas mais rápido, enxuto e bem otimizado.

Uma das principais críticas ao KDE é o seu peso na nos gráficos do sistema. De fato, ele é mais pesado do que um Xfce, mas basicamente qualquer máquina relativamente recente com gráficos integrados é capaz de lidar com ele. Depende bastante da quantidade de coisas que o usuário usa simultaneamente também, naturalmente.

Outro ponto importante são os aplicativos KDE. Incluem desde players de áudio e vídeo quanto uma suíte de produtividade (Sheets, Stage e Words) e até um gerenciador financeiro (Skrooge, referência a Ebenezer Scrooge, personagem de Um Conto de Natal, de Charles Dickens).

Há inclusive uma espécie de “distro portfólio”, a KDE Neon. Baseado no Ubuntu e no Debian, ela vem com tudo o que há de mais moderno do KDE, valendo a instalação para quem quer conhecer mais sobre ele.

GNOME

Um dos pontos fortes do GNOME (acrônimo de GNU Network Object Model Environment) é o seu foco em produtividade. Em especial pela excelente implementação das áreas de trabalho, na opinião deste autor. Certamente ajudam quando se trabalha com apenas um monitor, um benefício e tanto para notebooks.

GNOME 3 e suas áreas de trabalho.

Em termos visuais, o GNOME é bastante diferente do Cinnamon e do KDE (em especial a versão 3). Ou seja, é uma experiência de uso consideravelmente diferente para quem vem do Windows. Um pouco mais ágil, por assim dizer. A melhor forma de descrevermos é dizer que o sistema operacional não fica “na sua frente”: deixa você trabalhar rapidamente sem incomodar.

Dizemos “GNOME” e não “GNOME 3” pois o GNOME 2 ainda está tecnicamente vivo. Ele deu origem ao MATE, presente no Linux Mint e Ubuntu MATE e que pode ser instalado em diversas outras distros.

Xfce

Por fim, temos o ambiente gráfico mais leve da lista. Não o mais leve possível, mas que consome realmente poucos recursos da máquina. O Xfce é geralmente recomendado para os minimalistas, ainda que não “minimalistas minimalistas”, cargo que certamente tem o LXDE como representante.

Xfce, bastante leve, mas com um visual bastante simples.

Como o Xfce consegue ser tão leve? Em primeiro lugar, temos a ausência de efeitos e animações, o que por si só já alivia bastante o sistema. Não há muita perfumaria, por assim dizer, trazendo um visual simples e robusto ideal para quem possui uma máquina mais antiga. Entre as distros mais comuns que trazem o Xfce por padrão temos o Xubuntu e o Manjaro.

Há alguns contras, porém. Um deles é a ausência de escala de tela, afetando monitores com alta densidade de pixels. O Xfce conta com uma boa capacidade de customização de painéis, ainda que não seja tão versátil quanto o KDE ou o Cinnamon. O foco é em oferecer um visual simples, funcional e leve.

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E a coisa não acaba por aqui. Na segunda parte veremos outros ambientes gráficos dentre os muitos (muitos mesmo) disponíveis para as diversas distros Linux. Entre elas o Unity, explicando porque ela não está nesta primeira parte, e o Phanteon. Fique ligado!

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