CFO da Huawei vai para o tribunal hoje (20), podendo ser extraditada para os EUA

Por Rafael Arbulu | 20 de Janeiro de 2020 às 14h55
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Novamente, o governo chinês pediu pela soltura de Meng Wanzhou, CFO global da Huawei e filha do co-fundador da empresa, Ren Zhengfei, justamente quando ela está prestes a entrar em audiência judicial de extradição mais tarde nesta segunda (20) sob acusação de crimes internacionais de fraude e outras violações.

O caso é possivelmente o primeiro — ou um dos primeiros — episódio(s) da guerra comercial entre China e Estados Unidos, já que Wanzhou é acusada de violar sanções internacionalmente impostas, ao supostamente permitir a continuidade de negócios da Huawei com países do Oriente Médio (mais notavelmente, Irã), apesar de restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. Apesar dos pedidos de soltura do governo chinês, EUA e Canadá decidiram perseguir o caso.

Por causa das acusações, Wanzhou foi presa no Canadá, dentro de um aeroporto enquanto fazia uma troca de aeronave para uma viagem com escalas. Desde então, a China vem acusando autoridades estadunidenses e canadenses de promover uma prisão ilegal e pedir pela soltura da executiva. Desde a ocasião de sua prisão, Wanzhou está retida em prisão domiciliar no Canadá.

CFO da Huawei, Meng Wanzhou foi presa em dezembro de 2018 em aeroporto canadense, sob acusações de fraudes e acordos comerciais que violaram sanções impostas ao Irã

Na audiência de hoje, os procedimentos devem ser divididos em duas partes, de acordo com o The Next Web, que cita como fontes o jornal The New York Times e a agência de notícias Reuters: a primeira parcela deve se concentrar nas acusações — especificamente, se os crimes dos quais Wanzhou é acusada possuem contrapartes iguais nos EUA e no Canadá. Ao contrário dos EUA, o Canadá não impôs sanções comerciais ao Irã. Em caso positivo, a executiva da Huawei pode enfrentar um processo de extradição para os Estados Unidos.

A segunda parte da audiência será concentrada na defesa da executiva, onde seu time de advogados argumentará que o FBI e as autoridades canadenses violaram os direitos de sua cliente ao coletarem supostas evidências antes de ela ter sido apreendida no aeroporto da cidade de Vancouver.

A executiva, que é filha de um dos fundadores da gigante chinesa, segue exercendo suas funções do cargo, em prisão domiciliar canadense, enquanto aguarda decisão sobre audiência de extradição para os EUA, programada para hoje (20)

Em um novo pedido pela soltura da executiva feito hoje, o governo canadense chamou a situação de “um sério problema político”. No primeiro trimestre de 2019, Beijing ordenou a prisão de Michael Spavor e Michael Kovrig, dois cidadãos canadenses que estavam em solo chinês, acusando-os de espionagem. Meses depois, o ministro de relações exteriores chinês, Wang Yi, confirmou que a prisão dos dois tratava-se de retaliação, já que evidências de seus supostos crimes não foram produzidas.

Os dois “Michaels” seguem retidos em um presídio chinês, enquanto Meng Wanzhou, ainda que em prisão domiciliar (obtida após fiança de US$ 7,5 milhões — algo perto de R$ 31,4 milhões na cotação de hoje), vive em uma mansão e consegue sair pelas ruas de Vancouver, fora que não está impedida de trabalhar em suas funções na Huawei: ela segue como CFO da empresa, porém renunciou à sua cadeira no Comitê de Diretores.

Meng, que vem se mantendo fora das manchetes desde então, mantém sua declaração de inocente de todas as acusações, enquanto seu time legal argumenta que o caso é “muito mais sobre as sanções entre EUA e Irã” do que “necessariamente supostas fraudes”. A grosso modo, eles dizem que a prisão de Meng é uma desculpa.

Fonte: The Next Web

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