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Análise | The Textorcist é excelente mix de jogabilidade digitável e humor negro

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(Captura: Rafael Arbulu)
(Captura: Rafael Arbulu)

Poucas coisas são mais agradáveis para os gamers do que um jogo que, nitidamente, é feito pelo amor ao público. Tem algo nele que torna a experiência de gameplay mais doce e um caráter mais experimental que, quando bem feito, traz um nível de satisfação que certos jogos AAA genéricos e cheios de zonas de conforto não conseguem atingir.

Esse é o caso de The Textorcist: The Story of Ray Bibbia, um jogo desenvolvido pelos estúdios MorbidWare e produzido pela Headup (duas empresas relativamente desconhecidas do setor) que coloca o jogador na pele do titular Ray Bibbia, um padre exorcista que, por algumas desavenças com a Igreja Católica, deixou a instituição anos antes.

Não há forma de fazer melhor justiça ao jogo do que simplesmente descrevê-lo: em Textorcist, você controla o padre em um mundo de visual cartunesco, enfrentando demônios cuspidores de projéteis, desviando de tudo enquanto digita — sim, digita: sua maior arma aqui é a velocidade dos seus dedos no teclado — cânticos religiosos que atingem fisicamente seus inimigos.

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O jogo é recheado de humor contemporâneo e piadas que, dependendo de quem as lê, podem ser ou extremamente sem graça, ou irremediavelmente engraçadas — um certo demônio lidera uma banda de heavy metal, o que não impressiona o padre em nada; a mera menção a eles serem veganos, porém, deixa o protagonista bastante irritado, por exemplo.

A despeito da vocação sagrada do exorcista, tudo em The Textorcist é profano, do humor ao linguajar: imagine que Eric Cartman, do desenho South Park, ficou adulto, careca e fanaticamente religioso. Esse é, resumidamente, Ray Bibbia. Espere, então, por palavrões, piadas com memes bem atuais e nítidas representações visuais do que o padre da sua paróquia local nunca aprovaria.

Apesar do visual simplista e cartunesco, com visão aérea, o jogo possui ótima movimentação dos personagens (o que me surpreendeu: juro que esperava uma movimentação em quatro eixos — cima, baixo, direita, esquerda), o que é ideal para navegar nos cenários expansivos das lutas. Você não enfrenta hordas de inimigos: cada nível tem apenas uma introdução de serventia ao enredo e um chefão.

Mas é cada lutão, que olha…

Todos os chefes disparam projéteis em sua direção, preenchendo a tela com malefícios satânicos como vômitos asquerosos e raios, em uma versão bem adulta e bem nojenta de Galaga. Você, munido apenas de uma espécie de Bíblia, deve usar das setas do teclado para evitar todos eles, ao mesmo tempo em que digita frases inteiras de cunho religioso. Finalize uma frase e o inimigo leva uma pancada bem física. Repita o processo quatro ou cinco vezes e lá se vai um oponente de volta ao inferno, porque não há nada na Criação divina mais temido pelo Satanás do que um padre com aptidão à datilografia.

Entretanto, a jogabilidade traz um desafio empolgante e complicado: o livro segurado pelo padre funciona também como um escudo primário. Um golpe lhe atinge, o livro escapa de suas mãos e você deve desviar de projéteis para recuperá-lo. Leve outro golpe enquanto estiver sem o livro e você perde uma parcela de energia (um coração, de três). Mais além, o livro, quando fora das suas mãos, tem uma espécie de timer: demore demais em recuperá-lo e seu progresso na frase será regredido consideravelmente.

O humor é um show à parte no jogo, trazendo portmanteaus de coisas que fazem parte da nossa rotina na vida real: uma busca no “GODLE” (Google) ou mesmo os seus golpes, chamados de “Holets” (um amálgama de “Holy” e “Bullet” — “Sagrada” e “Bala”). As piadas são bem posicionadas e, adicionando a isso uma trilha sonora com batidas mais intensas, eficazes quando atuando em conjunto com a mecânica de jogo, fazem de The Textorcist: The Story of Ray Bibbia uma das raras joias presentes no Steam.

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The Textorcist: The Story of Ray Bibbia está disponível para PC e macOS. No Canaltech, o jogo foi analisado com cópia gentilmente cedida pela Headup Games.