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Unroll.me chega a acordo em caso de coleta e venda de dados de usuários

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Unroll.me chega a acordo em caso de coleta e venda de dados de usuários
Unroll.me chega a acordo em caso de coleta e venda de dados de usuários

Chega a ser irônico que um serviço que prometia livrar as pessoas do e-mail marketing indesejado seja flagrado, justamente, vendendo informações de seus usuários para terceiros. Mas foi exatamente o que aconteceu com a Unroll.me em 2017, um processo que termina agora com a chegada a um acordo com a FTC (Comissão Federal de Comércio, na sigla em inglês), por meio do qual ela terá de interromper tais atividades e deletar todas as informações que coletou.

Após investigação, o governo dos Estados Unidos concluiu que a empresa enganou os usuários ao afirmar que o único motivo pelo qual precisaria do acesso à caixa de entrada era para detectar newsletters indesejadas, que seriam filtradas para descadastramento automático. A empresa chegava a afirmar, com todas as letras, que “jamais tocaria nas mensagens pessoais”, algo que se provou exatamente o contrário e motivou o processo que, agora, chega ao final. Pior ainda: a promessa aconteceu em um momento no qual uma preocupação com a privacidade foi levantada, com essa sendo a resposta da plataforma para recuperar a confiança dos clientes.

Além de apagar os dados antigos e interromper a coleta deles sem autorização expressa, o Unroll.me também se vê obrigado a notificar todos os seus usuários atuais e do passado para esclarecer as informações sobre exatamente quais informações são acessadas, armazenadas e vendidas. A partir de agora a empresa somente poderá agir desta maneira com aqueles que derem sua autorização expressa para coleta de dados, algo que deve ser feito de forma taxativa, sem meias palavras ou floreios de marketing.

Andrew Smith, diretor do bureau de proteção ao consumidor da FTC, taxou como inaceitável a atuação da companhia, que agiu em total desrespeito à privacidade de seus clientes. Ele aponta que o caso deve servir de apoio para outros processos relacionados a informações enganosas ou meias verdades passadas aos usuários e que, quando o assunto é coleta de dados, os pedidos de autorização ou indicações sobre sua existência precisam ser claros e diretos.

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Segundo a investigação do órgão, os problemas começaram novembro de 2015 e durado até outubro de 2016, com a empresa mudando sua forma de atuação após ser notificada pelo governo. Entre seus principais clientes estavam a Uber, para a qual a companhia vendia dados relacionados aos recibos de corridas realizadas com o Lyft, seu principal rival, em um movimento para reconquistar passageiros em um momento de crise de confiança.

Na ocasião, o CEO do Unroll.me, Jojo Hedaya, pediu desculpas aos usuários e disse estar frustrado com a ideia de que os usuários não aprovaram as mecânicas de monetização da empresa, uma vez que ela oferecia um serviço gratuito que precisava ser financiado de alguma maneira. O caso somente se tornou mais complicado quando o fundador da empresa, Perri Chase, à época não mais ligado a ela, chamou os críticos de estúpidos por acreditarem na promessa de que os dados pessoais efetivamente estavam seguros em uma plataforma que não cobrava por sua atuação.

Fonte: FTC