Por que os Millennials não podem comemorar o Dia da Informática (sortudos)

Por Rui Maciel | 16 de Agosto de 2019 às 19h45
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No dia 15 de agosto*, comemoramos o Dia da Informática, cuja data resgata a criação do ENIAC, considerado o primeiro computador eletrônico da história. Pesando 30 toneladas, ele tinha o poder de processamento equivalente ao de uma calculadora de bolso e foi essencial na Segunda Guerra Mundial para executar cálculos balísticos.

Depois dele, como vocês bem sabem, a informática evoluiu e até mesmo o termo “informática” ficou datado e apenas os mais velhos ainda falam isso. Só que os mais velhos têm esse direito (o autor deste texto tem 41 anos, me deixa), porque passamos cada perrengue com a “informática” até o fim da década de 1990, que hoje temos certeza que vocês, Millenials, reclamam de barriga cheia, quando o smartphone demora 0,00002 segundos a mais para enviar uma mensagem ou carregar um site.

Duvidam? Então sintam só os sufocos que a gente tinha de passar com a Tecnologia até o fim do século passado e veja se nós, “dinossauros” não temos o direito de comemorar o Dia da Informática, mesmo que ninguém mais use esse termo.

Vocês precisam pagar para aprender a usar Word, Excel e Powerpoint?

Pois é, os adultos do final do século passado precisavam. Assim como nossos pais tinham de aprender datilografia para conseguir um emprego nas décadas de 1960 ou 70, nós tínhamos de nos inscrever em cursos como a SOS Computadores, Microlins, Microcamp, entre outros, para aprender a mexer no Word, Excel e Powerpoint para conseguir algum lugar para trabalhar. Na época, essas escolas ofereciam cursos até de MS-DOS, já que o Windows 95 ainda era novidade no Brasil (na verdade, ter um PC em casa naquela época era uma novidade por aqui).

O Clips do Word era uma irritante companhia nas aulas de Word da década de 1990

E assim como nos cursos de datilografia, a gente “catava milho” na hora de digitar qualquer coisa, até termos treinamento suficiente para criar intimidade com o teclado. E, para completar, esses cursos eram carinhos, viu?

Vocês precisam instalar dezenas de disquetes para ter um jogo dentro do PC?

Bom, eu não vou explicar aqui o que é disquete, mas posso dizer que ele era a unidade de armazenamento externa padrão nos PCs bem antigos, antes da chegada dos CDs. E como eles tinham um espaço bem pequeno para gravar as coisas – 1,44MB para ser mais exato – você precisava de muitos deles para conseguir, por exemplo, instalar um jogo popular da época, como Carmen Sandiego ou Doom.

Perder um desses disquetes era mergulhar em um mundo de dor e estresse

Ah sim, se uma das mídias estivesse corrompida (como, por exemplo, o último disquete de um total de 20 que você precisou usar para instalar aquele game), era necessário reiniciar todo o processo de instalação que, muitas vezes, levava horas.

A demora de duas horas para baixar um jogo do Steam não parece tão ruim agora, né?

Vocês precisam usar um teclado alfanumérico pra mandar mensagens?

Antes da chegada dos primeiros smartphones e, principalmente, do iPhone, já era possível conversar com nossos amigos e familiares por mensagens via celular. Só que eram SMSs, as operadoras cobravam por cada uma deles (e não era barato) e, o pior de tudo, você tinha de usar um teclado alfanumérico dos aparelhos, que eram estreitos, apertados e, acima de tudo, dava um trabalho danado na hora de digitar as frases. Smartphones com teclado QWERTY físico eram privilégio de poucos (Oi BlackBerry!) E teclado touchscreen, então, era coisa de ficção científica.

Digite um "Cheguei bem em casa" nesse celular em 2 minutos. Te desafio

Basicamente, o tempo que você gastava para escrever a frase: “Oi, eu cheguei bem em casa, beijo” em um teclado alfanumérico era o mesmo para escrever a letra de Faroeste Caboclo em um teclado QWERTY em qualquer smartphone Android (ok, é um exagero, eu sei, mas vocês pescaram o sufoco).

Aliás, vocês já tiveram de usar um PAGER para se comunicar?

Ahhhhhhh, os pagers! Se você queria ser alguém tecnologicamente descolado no final da década de 1990, era obrigatório ter um deles, de preferência preso na cintura. Com esse tataravô do WhatsApp, você podia se comunicar com seus amigos e familiares (que também deviam ter um, claro), mas a forma de fazer isso não era necessariamente prática. Aliás, bem longe disso.

Pager: o tataravô do WhatsApp

Explico: para mandar uma mensagem para o seu amigo, era preciso ligar para a operadora do pager, falar com uma atendente e ditar, palavra por palavra, o que você queria que a outra pessoa recebesse. E, claro, muitas vezes, as coisas que você queria dizer ao seu amigo na mensagem eram embaraçosas demais para ditar a um desconhecido do outro lado da linha. Logo, apenas os mais corajosos iam em frente.

E, claro, uma tecnologia dessas trazia outros perrengues: você não sabia se a outra pessoa ia receber a mensagem, era normal que as frases enviadas chegassem truncadas e cheio de erros e, o pior de tudo, se você estivesse na rua e recebesse uma mensagem, era preciso correr atrás de um orelhão para responder, pelo mesmo e burocrático processo.

Sério, não tinha como dar certo...

E você já tiveram que carregar um Discman para ouvir música na rua?

Criado pela Sony, o Discman é um caso curioso no mundo da Tecnologia. Ele, talvez, tenha sido um dos poucos casos de “involução” de um produto, feito para substituir outro – no caso, o revolucionário Walkman, também inventado pela Sony.

Porque, sério, ele era pior em quase tudo se comparado a um Walkman. Não era nada portátil, já que se tratava de um trambolhão redondo, que mal dava para colocar na cintura ou no braço, por exemplo, já que, quando ele balançava, as músicas eram interrompidas a todo momento. Consumia uma pilha violenta, que acabava em poucas horas se você quisesse trocar as músicas do CDs com alguma frequência. Sem contar que você precisava carregar os CDs para cima e para baixo, dentro da mochila, para não ter de se contentar em ouvir apenas um artista em repeat eterno. Ah sim e, absolutamente TODOS esses leitores de CDs portáteis eram muito feios.

Boa sorte para usar isso na cintura / Crédito: Etsy.com

Para não ser totalmente injusto com o Discman, pelo menos, você não precisava rebobinar os cassetes para frente e para trás sempre que quisesse repetir uma canção, como era o caso do Walkman. Bastava apertar o botão correspondente.

Mas, de qualquer forma, eu não desejo um Discman nem para o meu pior inimigo...quer dizer, talvez, eu deseje...

*Sim, eu sei que o Dia da Informática foi ontem, mas o que vale é a intenção, não me aborreçam.

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