O que as pessoas pesquisam no Google antes de ir ao hospital?

Por Thaís Augusto | 26 de Fevereiro de 2019 às 07h35
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Quem nunca procurou sintomas de doenças no Google que atire a primeira pedra. Uma pesquisa divulgada na última semana revelou o que muitos sabiam: mais de 50% dos pacientes buscam informações sobre seus problemas de saúde antes de irem ao hospital.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, analisaram o histórico de busca de 103 pacientes e descobriram que 53% realizaram buscas relacionadas aos sintomas que sentiam nos sete dias que antecederam a visita ao médico.

Além dos sintomas, muitos tentavam descobrir exatamente a doença manifestada. Cerca de 15% dos pacientes ainda buscavam o endereço de serviços de emergência e hospitais próximos da sua localização.

No geral, as pesquisas sobre saúde dobraram na semana anterior à visita em comparação aos hábitos comuns de pesquisa dos pacientes.

"Aprendemos muito sobre as perguntas que os pacientes fazem antes de tomarem a decisão de visitar um serviço de emergência, bem como seus cuidados após a visita", disse o autor principal do estudo e pesquisador do Centro de Medicina Penn da Universidade para Saúde Digital, Jeremy Asch.

Há anos, Asch e outros pesquisadores tentam utilizar históricos digitais como uma forma indireta de estudar as atitudes ou comportamentos relacionados à saúde das pessoas. Ao longo do tempo, pesquisadores até sugeriram que o Twitter e outras redes sociais poderiam ser usadas para prever surtos de doenças como a gripe, mas as postagens são, por sua natureza, uma métrica imperfeita do que realmente está na mente das pessoas.

Segundo os pesquisadores, o estudo divulgado na última quinta-feira (21) é o primeiro a acoplar e entender a relação entre as pesquisas na internet e o histórico médico das pessoas. Asch conta que um paciente pesquisou "qual é o tamanho de uma noz" e depois "o que é um tumor fibroso?". Uma olhada nos seus registros médicos revelou que o médico havia dito à ele que seu tumor fibroso era do tamanho de uma noz.

"O médico que cuida desse paciente pode ter acreditado que uma comunicação eficaz ocorreu", disse Asch. "Mas, se o paciente tiver que procurar os dois termos-chave, fica claro que a comunicação do paciente não foi eficaz o suficiente".

O Google se tornou importante para aliviar a preocupação das pessoas em relação à saúde, mas também tem desvantagens: médicos e estudos argumentam que informações confusas ou mitos podem assustar quem pesquisa sobre o assunto, prejudicando a confiança das pessoas com seus médicos.

Para os pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, o fato de que tantos pacientes estarem dispostos a compartilharem seu histórico do Google é um bom sinal de que podemos usar informações digitais para entender "melhor os cuidados de saúde e o conhecimento, atitude e comportamento da população geral".

Para o estudo, os autores perguntaram a mais de 700 pessoas de uma sala de emergência se eles tinham uma conta na Google. Cerca de 300 confirmaram a informação. Entre os que aceitaram participar do estudo, foram eliminados os pacientes em risco de vida (como vítimas de tiroteio) e menores de idade. O estudo foi realizado entre março de 2016 e março de 2017 e publicado na revista médica BMJ Open.

Fonte: Gizmodo

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