Internet da Rússia vai ser controlada pelo governo a partir desta sexta (1º)

Por Claudio Yuge | 31 de Outubro de 2019 às 21h30
mashable

A Rússia deve colocar em prática algo que já pode ser visto na Arábia Saudita, Turquia e China: uma internet própria controlada pelo governo. O projeto, que custou US$ 300 milhões, tem como objetivo se desconectar das outras redes para se precaver de uma possível guerra cibernética — mas é, essencialmente, uma maneira de dar mais poder para o presidente Vladimir Putin controlar o que seu povo pode ou não acessar.

Os detalhes sobre esses planos são escassos. A agência de notícias russa RIA-Novosti diz que o objetivo é fornecer uma Internet "sustentável, segura e totalmente funcional", que será administrada pela estatal de telecomunicações Roskommadzor. Assim, toda vez que os usuários russos tentarem visitar sites internacionais, eles serão direcionados para páginas nacionais — nada de Facebook, o pessoal agora terá que se contentar com a rede social VK.

(Imagem: Reprodução/Pixabay)

Só que, segundo especialistas, esse bloqueio dificilmente terá a mesma eficácia que a Grande Muralha virtual chinesa. Isso porque, diferente do que acontece no país asiático, a internet russa nasceu para ser aberta. Na China, a legislação do Partido Comunista impôs as restrições com filtro pelas empresas de telecomunicações locais desde o começo, em 1996.

Rússia não tem tantas soluções locais quanto a China

Além disso, a China possui uma gigantesco império de e-commerce e ecossistemas de apps móveis, o que permite aos usuários contarem com opções nacionais sem ter que recorrer ao mercado exterior. “Um dos principais benefícios da Internet é [seu] mecanismo comercial transfronteiriço, e a Rússia não poderá replicar todos os serviços prestados por empresas não russas”, comenta Alex Henthorn-Iwane, vice-presidente de marketing de produtos da empresa de monitoramento de rede ThousandEyes.

Também é questionável do ponto de vista de segurança cibernética. "Se criminosos cibernéticos ou estados-nação quiserem se infiltrar e infectar uma máquina, comandar e controlar, você não precisará de muita largura de banda. Você poderia ter um telefone celular transfronteiriço para acessar a Internet interna do país. Nesse caso, você poderia ter pessoas dentro do país, o que todos os principais estados fazem, para permitir a guerra cibernética”, destaca Henthorn-Iwane.

Tendência é de que novas “internets” apareçam nos próximos anos

O termo “splinternet” foi cunhado em 2001 e descreve “internets paralelas”, que são múltiplas redes privadas criadas justamente para driblar regulamentação de governos severos. O conceito, na verdade, é utilizado por um grande número de companhias.

O Twitter é obrigado por lei a bloquear mensagens e usuários supremacistas brancos na Alemanha, e o Google tem que substituir certos nomes e fronteiras em seus mapas. A Regulamentação Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR, na sigla em inglês), por exemplo, proíbe que algumas agências de notícias estadunidenses veiculem seu conteúdo na Europa devido à maneira que elas armazenam os dados dos cidadão europeus.

(Imagem: Reprodução/SurveyCTO)

Como tudo o que há na web tem grande influência da cultura norte-americana — assim como sua história de livre mercado e liberdade de expressão — e é mediado por gigantes como a Alphabet, há uma legítima preocupação de outras nações e comunidades em criar um ambiente virtual que atenda melhor seus próprios interesses. E, assim, é possível que outros países e grupos tenham suas próprias “splinternets” no futuro.

Fonte: Mashable  

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