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Algoritmos viciam? Psicólogo explica o que o excesso de telas faz com o cérebro

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Erick Teixeira/Canaltech
Erick Teixeira/Canaltech

O uso excessivo de telas e o volume crescente de notificações não causam apenas distração, podem comprometer memória, foco e saúde mental de forma progressiva.

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Essa é a análise do psicólogo Lucas Freire, especialista em exaustão mental e autor do livro “Exaustos: Imaginando Saídas para o Cansaço Diário”, entrevistado no Podcast Canaltech desta quinta-feira (26).

Freire explica que os algoritmos das redes sociais exploram o sistema dopaminérgico do cérebro para manter o usuário em loop contínuo de estímulos. "O scrolling impulsivo que a gente vive hoje é baseado nesse sistema de recompensa, mas ela gera antecipação contínua, não gera conclusão", afirmou.

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O efeito prático é uma sensação de vazio após horas consumindo conteúdo, sem retenção, sem satisfação.

Por que a multitarefa é uma ilusão

Um dos pontos centrais da conversa é a crença disseminada na capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo.

Freire é direto: multitarefa não existe. "O que acontece na verdade é que nós fazemos um ‘switch’, uma troca rápida de atenção de tarefa".

Pesquisas desde os anos 1970 já apontavam isso, e o uso abusivo de telas agrava ainda mais a capacidade de manter foco por períodos prolongados.

O psicólogo também detalhou os efeitos nas crianças e adolescentes. A introdução irrestrita de smartphones teria substituído o que ele chama de "brincar livre", com consequências documentadas: sono desequilibrado, habilidades sociais comprometidas e aumento de transtornos de ansiedade e depressão em jovens.

Para quem quer reverter o quadro, a proposta não é um detox radical. "Eu prefiro chamar de restauração do que de detox", disse Freire.

Entre as medidas práticas que ele sugere: remover o celular do quarto à noite, estabelecer uma janela diária para o uso de redes sociais e reintroduzir atividades manuais que exijam presença física, como cozinhar, desenhar e caminhar ao ar livre.

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Sobre a inteligência artificial, o psicólogo vê risco na direção oposta ao prometido: em vez de reduzir a sobrecarga, a IA tem ampliado o volume de trabalho. "Estou vendo as pessoas trabalhando ainda mais usando IA", observou. Ele também criticou o uso de chatbots como substitutos de terapia, argumentando que nenhuma IA substitui o afeto e a presença humana no processo terapêutico.

🎙️Confira o episódio completo no Podcast Canaltech: