Pai da computação moderna, Alan Turing recebe perdão real por ser gay

Por Redação | 26 de Dezembro de 2013 às 14h25

O matemático britânico Alan Turing (1912-1954), considerado o pai da informática moderna, recebeu nesta terça-feira (24) o perdão real do governo inglês após ter sido condenado em 1952 por ser assumidamente homossexual - o que, naquela época, era considerado ilegal e punido criminalmente.

Chris Grayling, ministro da Justiça, foi quem solicitou ao governo a emissão do perdão de Turing, garantido pela Prerrogativa Real de Compaixão e aprovado pela rainha Elizabeth II. Várias campanhas foram realizadas no Reino Unido para agraciar o matemático: em 2011, havia uma petição contendo mais de 23 mil assinaturas a favor do perdão, além do apoio de onze cientistas britânicos, entre eles Stephen Hawking, no ano seguinte.

"O Doutor Turing merece ser lembrado e reconhecido pela sua fantástica contribuição aos esforços de guerra e por seu legado à ciência. A condenação por sua homossexualidade foi uma sentença que hoje nós consideramos injusta, discriminatória e que deve ser repelida. Um perdão da Rainha é um tributo apropriado a esse homem excepcional", escreveu Grayling, em nota.

Turing morreu em 1954, aos 41 anos, vítima de envenenamento por cianeto. A morte foi classificada pelo legista como suicídio, mas estudiosos, biólogos e até a própria família do matemático concluíram que ele faleceu de intoxicação devido aos remédios que tomava para cumprir sua pena. Além dos fortes medicamentos, o cientista sofreu castração química por ter se revelado homossexual, ilegal no Reino Unido até 1967.

Turing é considerado um dos pais da "era da informação" e pioneiro em códigos computacionais. Antes de ser condenado por ser gay, trabalhou no Quartel General de Comunicações do Governo (GCHQ), em Bletchley Park, para ajudar os Aliados durante a Segunda Guerra Mundial a decifrar os códigos Enigma, mensagens criptografadas trocadas entre a marinha alemã e que eram consideradas indecifráveis. Alguns historiadores apontam o feito como uma das principais contribuições para a queda de Adolf Hitler, sem contar que ajudou a encurtar a guerra em até dois anos.

Outras contribuições do matemático incluem o famoso teste de Turing, em vigor até hoje. A técnica consiste em dizer se uma máquina é ou não dotada de inteligência artificial, ou seja, se o aparelho é capaz de exibir comportamento inteligente, semelhante ao de um ser humano. Basicamente, Turing dizia que a melhor maneira de medir a sensibilidade artificial de uma máquina seria ver se ela consegue enganar as pessoas e fazer acreditá-las de que é humano, e não um aparelho.

Alguns documentos contendo anotações escritas a mão pelo matemático, e que explicam este e outros processos, permaneceram secretos por 70 anos e só foram revelados em 2012 pelo governo britânico.

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