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Trend de direção perigosa no TikTok deixa 7 mortos no Reino Unido

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bandeira do reino unido
Reprodução/Sabrina Mazzeo/Unsplash

O governo do Reino Unido cobrou nesta segunda-feira (24) que o TikTok e outras redes sociais removam vídeos que exaltam a direção perigosa, especialmente manobras na contramão. O pedido veio depois de um acidente que matou dois policiais e cinco jovens em uma rodovia próxima a Middlesbrough, no nordeste da Inglaterra, no fim de semana.

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As autoridades britânicas também exigiram que as plataformas impeçam que esse tipo de conteúdo seja impulsionado pelos próprios algoritmos.

O caso se soma a uma sequência de mortes ligadas a uma tendência que ganhou força nas redes neste ano. Grupos de jovens, majoritariamente homens, gravam vídeos dirigindo na contramão de rodovias e publicam o material online, muitas vezes com foco em gerar visualizações e engajamento.

O acidente em Middlesbrough

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Os policiais Matthew Blades, de 37 anos, e Tom Clough, de 38, morreram no sábado (22) quando um Volkswagen Passat atingiu a viatura em que estavam. Os cinco ocupantes do outro carro, com idades entre 17 e 23 anos, também morreram no local.

Uma conta no TikTok que se acredita pertencer a um dos jovens mortos havia publicado anteriormente vídeos de direção perigosa, incluindo uma perseguição policial registrada em março de 2025 e uma cena que mostra o velocímetro marcando 160 km/h, segundo a BBC. O perfil foi excluído após o acidente.

A Polícia de Cleveland, responsável pela investigação, afirmou não haver evidências de que a filmagem das atividades ocorridas na noite de sexta-feira (21) e na madrugada de sábado tivesse como objetivo a publicação no TikTok. A corporação prendeu 12 pessoas em uma apuração sobre atividades criminosas anteriores ao acidente, entre elas relatos de veículos "batendo em propriedades".

Pressão do governo britânico

O ministro da Defesa, Luke Pollard, disse à BBC que o governo já havia notificado as plataformas para que retirassem conteúdos que celebram comportamentos perigosos nas estradas. Segundo ele, as empresas sabem exatamente quais conteúdos circulam em seus sites e como funcionam seus próprios algoritmos.

Pollard afirmou que as redes também têm ciência de que usuários publicam esses vídeos em busca de visualizações e, em alguns casos, de retorno financeiro, o que cria um incentivo para a produção de conteúdo cada vez mais extremo. O primeiro-ministro Andy Burnham classificou como "verdadeiramente repreensível" o compartilhamento de imagens que glorificam a direção perigosa.

O governo declarou apoio à Ofcom, agência reguladora de mídia do país, para agir contra plataformas que descumpram obrigações legais previstas na lei de segurança on-line britânica. Pela legislação, cabe às próprias empresas avaliar denúncias e aplicar suas regras internas, já que os vídeos não são necessariamente ilegais por si só.

O TikTok informou que suas políticas proíbem conteúdos capazes de causar danos físicos significativos, incluindo direção perigosa, e que remove ativamente perfis que violam essas regras. Entre janeiro e março deste ano, 99,1% dos conteúdos removidos por violação às políticas contra comportamento violento e criminoso foram retirados antes de qualquer denúncia de usuários, segundo a empresa.

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Irlanda já registrava mortes pela mesma tendência

O Reino Unido não é o primeiro país afetado. No início de agosto, cinco adolescentes morreram na Irlanda depois que um carro trafegou na contramão de uma rodovia no condado de Kildare e colidiu de frente com outro veículo. Quatro pessoas do segundo carro ficaram feridas, entre elas um menino de sete anos que seguia para um casamento na família.

Três dos cinco jovens mortos eram conhecidos da Tusla, agência irlandesa de proteção à infância e à família. Um comitê parlamentar convidou o TikTok para explicar como a plataforma lida com esse tipo de conteúdo, mas a empresa recusou a participação, alegando investigação policial em andamento e apuração paralela do órgão regulador de mídia do país. O presidente do comitê, Alan Kelly, chamou a recusa de "um tapa na cara" do público irlandês.

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Segundo a emissora RTÉ, a Irlanda registrou 62 casos de condutores na contramão em rodovias neste ano, alta de 32% em relação ao mesmo período de 2025.

O TikTok já havia sido alvo de sanções no Brasil por outro motivo. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou à empresa uma multa de R$ 153,7 milhões nesta terça-feira (25), em um caso relacionado ao tratamento de dados de usuários no país.