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Terceirizou o flerte? Como o ChatGPT está estragando apps de namoro

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pessoa no celular sorrindo
Reprodução/Julio Lopez/Unsplash

Solteiros nos Estados Unidos têm recorrido ao ChatGPT e ao Claude para escrever mensagens em aplicativos de namoro, analisar “erros” em conversas e criar frases de abertura.

A prática, batizada de "chatfishing", gerou um aumento de 5.000% nas buscas pelo termo no Google, segundo levantamento do site The Next Web. Tinder, Hinge e Bumble não possuem políticas para identificar ou restringir o uso.

Um relatório do Match Group em parceria com o Kinsey Institute mostra que 26% dos adultos americanos já usaram inteligência artificial para alguma etapa do namoro online, da escolha de fotos à redação de biografias. Entre a geração Z, o índice sobe para 49%.

Plataformas dizem não ter como agir

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O CEO do Match Group, Spencer Rascoff, disse à Bloomberg que a empresa ainda não deu atenção suficiente ao problema. Segundo ele, se o uso da IA acontece fora da plataforma, pouco pode ser feito a respeito.

A executiva-chefe do Hinge, Jackie Jantos, evitou defender regras rígidas, mas destacou a importância de os humanos se comportarem como humanos nas conversas. O Bumble não faz nenhuma verificação de textos gerados por IA, e nenhum dos três aplicativos proíbe mensagens escritas por chatbots, apenas fotos manipuladas digitalmente.

O problema não é o conselho, é a identidade

Pedir ajuda para responder uma mensagem não é novidade, já que amigos sempre cumpriram esse papel. A diferença agora está na possibilidade de a pessoa do outro lado da conversa não corresponder à imagem apresentada.

Um caso relatado pelo The Next Web ilustra a situação: uma mulher da Virgínia, nos EUA, percebeu que seu par no Hinge usava construções de frase pouco naturais e, ao ser confrontado, admitiu ter usado o Claude para escrever as respostas.

Em San Diego, outra usuária descreveu uma ligação em que o homem parecia ler um roteiro gerado a partir do próprio perfil dela.

Pesquisadores da Wharton School descobriram que pessoas aceitam respostas de IA em 80% dos casos, mesmo quando erradas.

No namoro, o risco não é factual, mas pessoal: a versão gerada por IA de alguém tende a soar mais articulada e atenciosa do que a pessoa real que aparece no encontro presencial.

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China vai na direção oposta

Enquanto os aplicativos americanos evitam qualquer restrição, a China adotou o caminho contrário. Novas regras da Administração do Ciberespaço chinesa, em vigor desde a última quarta-feira (15), proíbem chatbots de estimular a dependência emocional ou de manter relacionamentos virtuais com menores de idade, segundo reportagem do The Wall Street Journal.

As empresas também precisarão avisar um responsável ou contato de emergência caso um usuário demonstre risco de vida durante a conversa. Alibaba e ByteDance, dona do TikTok, já desativaram recursos de seus chatbots para se adequar às novas normas.

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A motivação declarada pelo governo chinês está ligada à crise demográfica do país, que registrou queda populacional pelo quarto ano consecutivo em 2025. Matt Sheehan, pesquisador do Carnegie Endowment for International Peace, afirmou ao WSJ que Pequim teme que relacionamentos com companheiros de IA afastem pessoas do mercado de casamentos e reduzam ainda mais a natalidade.

As regras chinesas vão além das leis já existentes na Califórnia e em Nova York, que exigem apenas que chatbots informem aos usuários que não são humanos e indiquem serviços de apoio em situações de crise.