Por que gigantes da tecnologia estão trocando IAs dos EUA por modelos da China
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Jones Oliveira | •
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Um ano após a “onda DeepSeek”, a China novamente se destaca no mercado global de inteligência artificial (IA), mas com nomes diferentes. Soluções criadas no país asiático ganham cada vez mais força no uso empresarial, deixando alguns modelos dos EUA de lado.
Famílias de modelos chineses, como Qwen e Kimi,se tornam cada vez mais populares no meio corporativo. As plataformas de testes de benchmark colocam essas opções no mesmo patamar das soluções de ChatGPT, Claude e Gemini, mas com uma vantagem financeira maior.
Todo esse ressurgimento ocorre após tentativas dos EUA de barrar o acesso a modelos poderosos de IA pela potência asiática e grande rival no cenário econômico.
Custo-benefício é a chave
A resposta sobre a adesão de IAs chinesas é simples: os modelos trazem resultado parecido com o de concorrentes da terra do Tio Sam por um preço muito mais barato. Algumas opções de código aberto garantem ainda mais personalização e acesso pelas empresas.
Um levantamento da agência de notícias AFP identificou que o uso de modelos de IA de Google, Anthropic e OpenAI caiu de 55% para 33% entre janeiro e junho na plataforma OpenRouter, que analisa a adesão corporativa à tecnologia.
Além disso, uma reportagem do jornal Financial Times revela que DoorDash, Airbnb e Siemens são alguns exemplos de empresas que adotaram modelos chineses no fluxo de trabalho, com foco na redução de custos.
“A OpenAI apostou que poderia manter margens altas com tecnologia proprietária fechada. A China respondeu comoditizando a inteligência com modelos de peso aberto altamente eficientes”, avalia o CMO da empresa de infraestrutura tecnológica Vórtx, Rodrigo Cerveira, ao Canaltech.
IAs da China batem de frente com rivais dos EUA
A diferença no bolso ainda é justificada pelo resultado entregue pelas IAs chinesas, cada vez mais próximas de concorrentes de topo de linha das empresas do país norte-americano.
De acordo com a plataforma Arena AI, que avalia o desempenho das principais IAs em diferentes tarefas, o Kimi K3 da chinesa Moonshot é o terceiro melhor modelo em tarefas para agentes, atrás apenas dos poderosos Claude Fable 5 e GPT-5.6 Sol.
Ao considerar tarefas de programação, o Kimi K3 é o segundo melhor da lista, enquanto o GLM-5.2 Max da chinesa Z.ai fica na sexta colocação. Ambos se destacam por oferecerem um valor médio por milhão de tokens bem mais barato do outros nomes no topo do ranking.
Modelo de cobrança também influencia
É importante lembrar que as principais Big Techs estadunidenses mudaram o modelo de cobrança recentemente, como foi o caso do Google. No lugar de cobrança por prompt, a empresa adotou um sistema que cobra pelo poder computacional de cada pedido, com taxas de limite diárias.
O resultado cria um cenário “pós-pago” em que os gastos com tokens podem surpreender o orçamento, algo cada vez mais comum na era da IA agêntica. Muitas empresas passaram a rever os gastos com IA e as soluções chinesas despontaram como alternativas.