O que é a chamada "Crise do COBOL" e como a IA pode ajudar a resolver?
Por André Lourenti Magalhães • Editado por Jones Oliveira |
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Uma linguagem de programação criada em 1959 ainda é relevante décadas depois e encontra dificuldades para ser atualizado a sistemas mais novos. É o caso do COBOL, sistema de legal muito usado no segmento bancário, e que pode ter uma “crise” resolvida pela IA.
O COBOL enfrenta um dilema no qual a linguagem já se tornou ultrapassada e não tem mão de obra especializada no mercado. No entanto, ainda é usado no dia a dia por fazer parte da infraestrutura de serviços críticos e uma transição drástica poderia resultar em problemas maiores.
O avanço no desenvolvimento dos modelos de IA abre uma janela para migrar todos os sistemas para linguagens mais atualizadas, como C++, mas ainda traz uma série de desafios.
O que é COBOL?
Sigla em inglês para “Linguagem Comum Orientada para os Negócios”, COBOL é uma linguagem de programação otimizada para processar grandes quantidades de dados.
A precisão para lidar com casas decimais e a simplicidade da linguagem fizeram com que o código fosse amplamente usado em sistemas de transações financeiras, como caixas eletrônicos e operações com cartões de crédito ou débito. Um relatório da Revista Internacional de Pesquisa Avançada em Ciência, Comunicação e Tecnologia aponta que 43% das operações bancárias usavam a linguagem em 2023.
Por ser usado em serviços cruciais, a base de código foi mantida com o passar dos anos e não foi atualizada para alternativas mais modernas. Além disso, profissionais não são especializados na área e muitas empresas não documentaram suas respectivas plataformas para facilitar a migração, o que gera uma “crise do COBOL”.
Como a IA pode resolver o problema?
A inteligência artificial desponta como uma alternativa para enfim viabilizar a migração para outras linguagens mais recentes. Modelos mais avançados podem ser usados não apenas para traduzir o código, mas também para analisar comportamentos de cada plataforma para garantir uma atualização estável.
Para o Chefe de IA e Diretor de Inovação da MakeOne, Filipe Santos, a maior vantagem da tecnologia é a compreensão dos dados. “Em muitos bancos, seguradoras e órgãos públicos, a regra de negócio só existe dentro do COBOL: a documentação se perdeu e quem escreveu já se aposentou. A IA hoje lê esse legado, explica a lógica, documenta regras e gera testes, e a partir daí a tradução ficou viável”, comenta ao Canaltech.
Por outro lado, os esforços de migração têm algumas barreiras, como a verificação de que um sistema novo se comportaria da mesma forma que a versão antiga. “Migrar não é trocar de linguagem, é mexer num ecossistema de mainframe, rotinas batch, integrações e décadas de ajustes. O gargalo passa a ser a verificação”, completa Santos.
A resposta da OpenAI
Criadora do ChatGPT, a OpenAI publicou um relatório em outubro para destacar alguns avanços em linguagens com pouca documentação disponível. A empresa destacou que modelos mais recentes tiveram desempenho superior em testes para migrar programas COBOL para C++, Java, Python, Rust e Kotlin.
Ainda que a IA tenha resultado positivo, os testes ainda mostram situações delicadas que precisam de maior atenção. Um exemplo envolve regras de arredondamento: o COBOL descarta casas decimais excedentes, enquanto outros sistemas podem adotar uma regra diferente para o mesmo caso. Essa simples mudança poderia gerar um impacto muito grande no meio financeiro.
