Estúdio pornô quer usar deepfakes para colocar clientes em seus filmes

Por Rafael Arbulu | 22 de Agosto de 2018 às 13h07
Naughty America (Divulgação)

Lembra de quando falamos sobre um usuário do Reedit ter criado recursos de machine learning para inserir os rostos de diversas atrizes famosas em filmes pornôs? Lembra de quando, desta mesma tecnologia, surgiu um app prometendo a mesma coisa? Naturalmente, a preocupação do uso dos chamados deepfakes e as questões de privacidade e difamação das pessoas — mulheres, em especial — não eram infundadas. Contudo, o estúdio californiano de filmes eróticos Naughty America quer fazer um uso mais “oficial” da ferramenta.

Em entrevista ao Mashable, o CEO do estúdio, Andreas Hronopulos, disse que quer lançar um serviço para seus assinantes premium que insere os rostos deles nos filmes adultos produzidos. A ideia, segundo ele, é criar um grau maior de imersão dos fãs da indústria pornográfica. Contudo, o executivo está ciente dos riscos apresentados pelo possível mau uso da ferramenta e diz ter um time jurídico pronto para antecipar problemas e conter crises.

A Naughty America não detalhou como o novo produto funcionará, mas é de se esperar que, dado o conhecimento técnico dos deepfakes, o usuário precise fornecer uma boa gama de imagens próprias e expressões faciais a fim de criar uma experiência fidedigna. O problema, conforme levantou o site durante a entrevista, reside na abertura que isso pode trazer para o revenge porn, vídeos de ex-casais que, por uma razão ou outra, acabam vazados na internet — comumente, compartilhados por uma parte do relacionamento que quer se vingar da outra de alguma forma.

Sobre isso, novamente, Hronopoulos se mantém elusivo, dizendo que o time jurídico está tomando precauções.

O que são “Deepfakes”?

O nome deepfakes pertence a um usuário do Reddit, que criou a base tecnológica de machine learning que levaria ao desenvolvimento da ferramenta. Essencialmente, trata-se de um software que produz um “face swap” (termo designado para “troca de rostos” em mídias) em vídeos, mas trazendo um aspecto de inteligência artificial capaz de identificar os pontos mais comuns entre dois rostos — o original do vídeo e o fake que se está buscando inserir — e “costura” ambos, sobrepondo um ao outro mediante as configurações do usuário. A olhos não treinados, a falsificação parece bem realista.

“Deepfakes”, devido ao nome do usuário cuja identidade ainda é segredo, acabou virando um termo para rotular de forma simples esse tipo de ferramenta. Foram esses recursos que causaram transtornos a atrizes e celebridades como Gal Gadot, Taylor Swift, Scarlett Johansson e Maisie Williams, para citar algumas.

Fonte: Mashable

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